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Caminhos da Reportagem expõe ódio misógino contra mulheres nas redes

Programa da TV Brasil discute estratégias de violência digital e o crescimento de 600 vezes no conteúdo misógino entre 2019 e 2025.

Redação Jornal de Brasília

09/03/2026 17h38

odio contra mulheres nas redes

Foto: Reprodução

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta o episódio ‘A nova roupa do machismo’, que discute as estratégias de ódio digital contra mulheres, como memes, ameaças, vazamento de dados e deepfakes pornográficos. O conteúdo reflete o machismo na sociedade e, ao mesmo tempo, o amplifica, gerando engajamento e lucros para misóginos e plataformas digitais. O episódio vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h.

Em 2025, o Brasil registrou recordes de feminicídios, com quatro mulheres mortas por dia, segundo o Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora não haja correlação direta comprovada, a violência de gênero tem aumentado tanto online quanto offline.

Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio e identificou um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino entre 2019 e 2025. A pesquisadora Julie Ricard explica que muitos homens se sentem atacados pelo avanço das mulheres no poder e agem em ‘missão de proteção’.

A musicista Bruna Volpi, uma das entrevistadas, tornou-se alvo após ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Ela recebeu ameaças de um executivo que possuía seus dados pessoais. ‘Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver, esse homem é um potencial perigo para a sociedade’, afirma.

A Safernet registrou um aumento de 220% nas denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025. A escritora Márcia Tiburi observa que as mulheres rejeitam o papel imposto pelo patriarcado, o que é interpretado como um ataque à masculinidade masculina.

Lola Aronovich, vítima de ataques há mais de 15 anos por seu blog feminista, teve dados vazados em um site difamatório. Dois homens foram condenados, e um reincidente cumpre 41 anos de prisão como o primeiro caso de terrorismo digital no país. Esse episódio levou à criação da Lei 13.642/2018, conhecida como Lei Lola, que atribui à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

O delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio da Polícia Federal, define esses atos como discursos que normalizam a violência e incentivam práticas extremas, como homicídios e estupros contra mulheres.

Em avanços e recuos, a Meta, controladora do Facebook, Instagram e Threads, alterou políticas em janeiro para permitir acusações de ‘anormalidade mental’ relacionada a gênero ou orientação sexual, reduzindo a moderação em temas de minorias, segundo Julie Ricard. ‘Ódio gera engajamento e mantém as pessoas conectadas’, conclui.

No Brasil, ainda não existe legislação específica que criminalize a misoginia. Mulheres em áreas predominantemente masculinas, como a gamer Layze Pinto Brandão (Lahgolas) e a narradora esportiva Luciana Zogaib, enfrentam o discurso de ódio. ‘Ter uma lei coibiria um pouco mais; a pessoa pensaria duas vezes antes de agir, especialmente os valentões que se acham acima da lei’, diz a gamer.

*Com informações da Agência Brasil

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