Na edição 2005 da Corrida Internacional de São Silvestre, o mineiro Franck Caldeira não conseguiu completar a prova. Tropeçou em um adversário ainda no início do percurso, machucou a perna, voltou para a corrida, mas teve de abandonar no km 7, quando lutava pela sexta posição. Mesmo assim, ele é apontado como principal favorito ao título neste domingo, na prova que tem largada às 17 horas.
A condição de principal esperança de vitória não o incomoda. "Todos são favoritos, mas um tem que ser pego como Cristo para levar a responsabilidade nas costas", brinca. "Saber que há vários com possibilidade de chegar é mais um estímulo", explica, lembrando que no ano passado já era considerado a surpresa da prova. "Fiquei muito satisfeito de ser apontado como favorito. Estou tranqüilo quanto a isso, ser favorito significa que estou trabalhando por isso".
Tranqüilo, confiante, o mineiro de 23 anos deixa claro que não teme o duelo contra o queniano Mathew Cheboi, principal estrangeiro na disputa. "Ele está otimista, mas eu também estou. No final, vale a preparação de cada atleta", lembra.
Caldeira começou a correr com 14 anos por influência do irmão mais velho Paulo César, em Sete Lagoas. O objetivo do irmão era dar uma atividade para Caldeira, que confessa não ter sido muito fã dos estudos. "Sempre fui muito preguiçoso para estudar".
A primeira experiência em uma prova de rua foi como "apoiador" do irmão. "Ele me levou para dar água durante a prova", recorda. A função foi motivadora e ele prometeu estar competindo na próxima corrida.
A estréia foi no Circuito Profeta, em uma disputa de 10Km. Juvenil, Caldeira venceu em sua categoria e ficou na sétima colocação geral. Desde então, não abandonou mais as competições, correndo inicialmente também em provas de pista nos 1.500m, 5 mil e 10 mil metros.
A expectativa para a São Silvestre deste ano não poderia ser mais positiva. "Fiz um ano fantástico", avalia o corredor, que está pré-classificado na equipe brasileira para a maratona nos Jogos Pan-americanos Rio-2007 com a segunda melhor marca do país na distância (2h14min05, em Milão). Nos 10km seu melhor desempenho foi obtido também na Itália (28min42). Na Meia-maratona do Rio, considerada por ele seu ápice no ano, marcou 1h03min26.
Apesar da ausência do atual campeão da prova, Marílson Gomes dos Santos, e de outros ex-vencedores, como o queniano Robert Cheriyot, Caldeira não fala em perda de nível técnico. "A São Silvestre tem seu brilho próprio e capacidade de crescer".