O presidente dos Estados Unidos, side effects George W. Bush, inicia hoje uma viagem pela África na qual tratará sobre os conflitos em Darfur e no Quênia e destacará os projetos de seu país para combater a aids e promover desenvolvimento econômico.
A Casa Branca confirmou hoje mesmo a viagem de Bush, apesar de o Congresso não ter atendido a uma reivindicação do presidente para a aprovação de uma lei que autoriza a realização de escutas telefônicas sem ordem judicial para supostos terroristas.
Bush afirmou na quinta-feira que se o Congresso não desse sinal verde à lei, poderia atrasar sua viagem, o que, no final, acabou não ocorrendo.
O líder americano tinha previsto subir no “Air Force One” às 19h (Brasília) para iniciar sua segunda visita como presidente ao continente africano.
Com esta viagem, Bush pretende reiterar o compromisso dos EUA na ajuda ao desenvolvimento da África, como antídoto frente “às ideologias do radicalismo”.
Bush e sua esposa Laura, que o acompanhará durante toda a viagem, farão paradas no Benin e em Tanzânia, Ruanda, Gana e Libéria, onde se reunirão com os respectivos líderes desses países e visitarão projetos de ajuda mantidos pelos EUA, especialmente no combate à aids e à malária.
Durante a viagem, Bush terá também a companhia da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
“Esta é uma oportunidade para que o presidente Bush mostre algumas de suas conquistas na África”, afirmou Jennifer Cooke, especialista do Centro americano de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS), um instituto independente.
As expectativas em 2001 de que um ex-governador republicano do Texas se interessasse pela África eram baixas, mas como presidente, Bush “lançou muitos projetos importantes”, acrescentou Cooke.
Por exemplo, propôs ao Congresso destinar US$ 30 bilhões nos próximos cinco anos para seu programa de combate à aids.
Além disso, doou US$ 3,7 bilhões a países africanos que adotam reformas econômicas e políticas. Durante a viagem, Bush assinará um acordo com a Tanzânia pelo qual os EUA darão US$ 700 milhões.
“Acho que não há nenhuma dúvida de que quando os livros de história forem escritos, seus (de Bush) programas para combater a aids e a malária e outras doenças infecciosas serão um dos legados positivos principais” do Governo, opinou, por sua vez, Laurie Garrett, especialista em saúde do Conselho de Relações Exteriores americano (CFR), outro instituto independente.
Assim, a viagem do presidente, em seu último ano no poder, será uma forma de mostrar uma face mais suave de uma política externa que esteve marcada pelas guerras no Iraque e no Afeganistão, e pelas ameaças de confrontos com o Irã.
No entanto, a África é também uma terra de conflitos, e dois deles dominarão a agenda de Bush no continente: Darfur e Quênia.
O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Stephen Hadley, confirmou esta semana que Bush tratará sobre ambos os temas em todas as suas escalas.
Sobre Darfur, onde os EUA consideram que acontece um “genocídio”, o próprio presidente disse na quinta-feira estar “um pouco frustrado” pela lentidão em ampliar a atual força de paz da ONU para a região.
Em Ruanda, outro país que sofreu genocídio, Bush agradecerá ao Governo local pela permissão ao envio de tropas internacionais – como os “capacetes azuis” da ONU – e pedirá a outros países africanos que sigam esse exemplo.
Enquanto isso, o Quênia segue envolvido em uma grave crise política, depois de a oposição ter denunciado que houve fraude nas eleições de 27 de dezembro último.
Hoje, o Governo e a oposição do Quênia chegaram a um acordo que contribuirá para uma reforma constitucional, do tribunal eleitoral, da Polícia e do Parlamento, segundo a equipe que atua na mediação do conflito.
Rice viajará na segunda-feira a Nairóbi para apoiar o trabalho de mediação desenvolvido pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.
Outro dos temas importantes é o projeto americano de estabelecer um comando militar na África para coordenar suas ações nesse continente. O Pentágono ainda não decidiu onde estabelecê-lo, embora a Libéria já tenha oferecido seu território.