O governo brasileiro defendeu, nesta segunda-feira (13), a ampliação do financiamento internacional e o fortalecimento da cooperação entre países para conter os impactos da crise climática. A posição foi apresentada durante o primeiro dia da Pré-COP30, evento preparatório para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontecerá em novembro, em Belém (PA). As informações são da Agência Brasil.
O encontro reúne representantes de 67 nações em Brasília e busca alinhar prioridades e estratégias para a cúpula. Durante as discussões, o tema do financiamento climático dominou as mesas de debate, com apelos para que países desenvolvidos cumpram suas promessas de apoio financeiro às economias em desenvolvimento.
Brasil cobra ação global e reforça papel das florestas
Na abertura da sessão sobre Natureza e Clima, a ministra Marina Silva defendeu que o mundo precisa “inverter a lógica” de exploração ambiental. “Durante décadas, extraímos da natureza os recursos que moveram o desenvolvimento econômico. Agora, é hora de redirecionar recursos humanos, financeiros e tecnológicos para preservar o que ainda temos”, afirmou.
A ministra destacou que a proteção das florestas exigirá investimentos anuais de US$ 280 bilhões, valor quatro vezes superior ao disponível atualmente, além de US$ 16 bilhões por ano para a conservação dos oceanos. Segundo Marina, o combate à degradação ambiental precisa de medidas estruturais e financiamento previsível.
Haddad reforça meta de trilhões para o clima
Na parte da manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou a importância da cooperação financeira entre países para viabilizar a transição ecológica. Ele defendeu o chamado Mapa do Caminho de Baku a Belém, plano que pretende mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para políticas climáticas globais.
A proposta inclui a reforma dos bancos multilaterais, o aumento dos fluxos de investimentos verdes e a participação do setor privado como pilares para garantir uma economia sustentável.
Fora do ambiente diplomático, organizações da sociedade civil entregaram uma carta à presidência da COP30 pedindo US$ 86 bilhões anuais até 2030 para ações de adaptação climática voltadas a comunidades vulneráveis. O documento foi assinado por 40 entidades de diferentes países.
Outra proposta em discussão é a criação do Mecanismo de Ação de Belém (BAM), liderado pela Climate Action Network (CAN). O objetivo é institucionalizar um espaço permanente para promover uma transição justa, oferecendo apoio técnico e financeiro a comunidades afetadas pela mudança de paradigma econômico.