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Brasil atinge menor índice histórico de fome em lares de mulheres negras

No Dia Internacional da Mulher, o MDS celebra quedas na insegurança alimentar grave, com taxas de 3,6% em domicílios chefiados por mulheres e 4,5% por mulheres negras.

Redação Jornal de Brasília

08/03/2026 9h43

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Foto: Lyon Santos/MDS

Neste 8 de Março, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) anunciou o menor índice de insegurança alimentar grave já registrado pela Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), com destaque para os lares chefiados por mulheres e pessoas negras.

Os índices atingiram os menores patamares históricos nos domicílios liderados por esses grupos. Em lares chefiados por mulheres, a taxa chegou a 3,6%, enquanto nos domicílios chefiados por pessoas negras foi de 4,1%. Já nos lares liderados por mulheres negras, o índice ficou em 4,5%, o menor nível já observado para esse grupo historicamente mais vulnerável.

Esse resultado consolida a saída do Brasil do Mapa da Fome, anunciada em julho de 2025 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). A média trienal de 2022/2023/2024 colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou acesso insuficiente à alimentação. De acordo com a Ebia, os domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuaram para 3,2% em 2024, o menor índice da série histórica.

Para a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, os dados demonstram o impacto das políticas públicas nos grupos mais vulnerabilizados. “Quando você dá a centralidade para o tema do combate à fome, você coloca ele na sua agenda política, isso vai se convertendo em políticas públicas”, afirmou Burity.

A redução da fome resulta de decisões políticas que priorizaram a geração de emprego e renda, o fortalecimento da agricultura familiar, a ampliação dos recursos para a alimentação escolar e o acesso à alimentação adequada e saudável, articuladas no âmbito do Plano Brasil Sem Fome. A reconstrução do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) a partir de 2023 foi decisiva, com a Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) voltando a se reunir regularmente e o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) sendo reinstalado.

Além disso, foram aprovados o Plano Brasil Sem Fome, o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e o Plano Nacional de Abastecimento, além de estratégias intersetoriais. “Essa reconstrução institucional não foi apenas formal, ela reorganizou a ação do Estado. O avanço da coordenação interfederativa fortaleceu o diálogo com estados e municípios”, explicou Burity.

O número de municípios que aderiram ao Sisan aumentou de 536 em 2022 para 2.152 em 2026. Dados da Munic 2024 indicam que 51,4% dos municípios possuem Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, 36,3% têm lei municipal específica e 24,5% contam com Caisan.

Para Burity, a queda histórica da insegurança alimentar entre lares chefiados por mulheres negras reforça que políticas públicas bem estruturadas e intersetoriais transformam realidades. “Os números reforçam que o combate à fome está diretamente ligado à inclusão produtiva, à proteção social e à garantia de direitos — agenda que impacta de forma decisiva a vida das mulheres, especialmente das mulheres negras”, concluiu a secretária.

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