Depois do susto – e da pane no ataque – contra a Holanda, na sexta-feira, o Brasil recuperou seu melhor jogo e deu mais um show na cidade de Kobe, para conquistar sua quarta vitória consecutiva no Campeonato Mundial de vôlei feminino e praticamente garantir a primeira colocação do grupo C da competição, o que lhe dá importante vantagem na segunda fase.
Na madrugada deste sábado, o Brasil não tomou conhecimento dos EUA, rival histórico, e venceu por 3 sets a 0, com incontestáveis 25/23, 25/21 e 25/13, em uma hora e 12 minutos. Os grandes destaques na partida foram a atacante Sassá, que entrou no lugar de Mari, e a levantadora Fofão, que começou no banco, mas mudou o time ao entrar de vez na metade do segundo set.
Após a quarta vitória, a seleção do técnico José Roberto Guimarães volta à quadra neste domingo, desta vez às 3h, para enfrentar a fraca seleção de Camarões, última colocada. A partir daí, descansa dois dias e inicia a segunda fase da competição na próxima quarta. Já os EUA, após a primeira derrota, tentam se recuperar no duelo contra Porto Rico, para fechar o grupo em segundo lugar.
Além de representar a liderança da chave, o resultado positivo foi importante no confronto histórico e significou o fim do desempate entre os dois países. Agora, o Brasil tem 42 vitórias, contra 41 dos EUA, 160 sets vencidos, contra 158 das rivais. Foi também o primeiro triunfo em Campeonatos Mundiais desde 1960.
Ainda sem poder contar com a meio-de-rede Fabiana, destaque da equipe nas duas primeiras partidas, com Fofão ainda em recuperação de lesão na panturrilha e com Mari longe de seus melhores dias, Zé Roberto colocou em quadra contra as norte-americanas um time diferente, com Carol Albuquerque, Carol Gattaz e Sassá, além de Jaqueline, Sheilla e Walewska.
Das três “reservas”, apenas Sassá foi destaque, mantendo boa média no ataque e, sobretudo, forçando o saque e quebrando a recepção adversária. Já Carol Albuquerque foi mal e levou fortes broncas do treinador antes de sair definitivamente da equipe para dar lugar a titular Fofão a partir da metade da segunda parcial.
Pelo lado dos EUA a gigante Haneef também esteve apagada em relação às partidas anteriores e não fez a diferença esperada. Assim, a equipe conheceu seu primeiro revés depois de superar Cazaquistão e Holanda no tie-break do quinto set. Ainda assim, as atuais vice-campeãs mundiais seguem para a segunda fase, em que enfrentam novamente o Brasil e as fortes China, Rússia e Alemanha.
Assim como no confronto histórico, o duelo deste sábado começou bastante equilibrado, com pequena vantagem para as norte-americanas no início. Aos poucos, porém, as brasileiras se encontraram em quadra e iniciaram a arrancada que perdurou por todo meio do set. Com 20 x 17, a equipe nacional teve o primeiro grande descuido e viu as rivais encostarem.
Ao contrário das partidas anteriores, Zé Roberto se mostrou irritado na primeira parada técnica e exigiu reação, que não veio. Pelo contrário, os EUA passaram à frente em 21 x 20, o que obrigou o treinador brasileiro a mexer. Fofão então entrou no lugar de Carol e Mari substituiu Sassá, dando novo ânimo. A virada foi inevitável e com bom saque da própria Mari, o Brasil fechou em 25 x 23.
Mesmo com a recuperação no final, Zé Roberto recolocou o time titular no segundo set e, novamente, o desempenho ficou abaixo do esperado. Tanto que os EUA largaram com folga, 8 x 5 no primeiro tempo. Ainda irritado, o técnico não poupou críticas a Carol e sacou a levantadora após outros erros, no 11 x 8 para as adversárias.
Com a experiente Fofão de novo como a comandante, o Brasil melhorou e passou à frente em 13 x 12, em boa seqüência no saque de Sassá. A partir daí, não perdeu mais a ponta, apenas aumentando a vantagem. Ainda houve tempo para que Paula Pequeno participasse da parcial, vencida por 25 x 21.
Ao contrário dos sets anteriores, Fofão foi mantida, mas era Sassá que continuava dando show. A atacante de apenas 1m79 mostrou potência e destruiu a recepção adversária com poderosos serviços. A diferença foi crescendo gradativamente e chegou a 20 x 10. No final, mais um show das brasileiras e vitória sem grandes dificuldades.