Para Levy, programas como o Bolsa Família – que atualmente chega a mais de 11 milhões de famílias brasileiras, segundo dados do Governo federal – podem conseguir “certa redistribuição (de renda), mas não muita”.
Hoje, economistas do BID e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmaram que a América Latina precisa de uma política fiscal com ênfase na distribuição de renda para conseguir reduzir os elevados níveis de desigualdade na área.
Nesse sentido, Levy declarou que a região conseguiu diminuir os níveis de pobreza durante a última década, mas não fez frente a um assunto “muito mais difícil”: a redução na desigualdade de renda e de oportunidades.
“A América Latina não construiu as bases necessárias para conseguir esse objetivo”, disse Levy durante uma conferência realizada hoje na organização Diálogo Interamericano, em Washington.
Na maioria dos países da região, iniciativas como o Bolsa Família conseguiram redistribuir cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para entre 20% e 25% da população.
Levy insistiu em demonstrar que esse fenômeno convive com sistemas tributários que não auxiliam na redistribuição de renda.
Para o economista, as nações latino-americanas têm uma “incapacidade estrutural” para cobrar impostos das famílias com maior poder aquisitivo e transferir a renda aos lares de baixa renda, o que explicaria o fato de a região ter avançado pouco em sua luta contra a desigualdade.
O economista Javier Santiso, diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, concordou que a política fiscal da América Latina não é suficiente para redistribuir a renda na região.
Além disso, segundo Santiso, os países latino-americanos precisam melhorar a qualidade de seus sistemas educacionais.
O economista da OCDE lembrou que quase 4% dos recursos da América Latina são destinados à educação, percentagem bastante similar a de outros países da organização – no entanto, o desempenho escolar das crianças da região é muito inferior à média dos Estados-membros da entidade. EFE