O bloco de rua Suvaco do Cristo vai realizar seu último desfile no dia 8 de fevereiro, último domingo antes do carnaval, marcando o fim de 40 anos de participação na folia carioca. A decisão foi anunciada pelo fundador e presidente do grupo, João Avelleira, que considera o ciclo cumprido após contribuir significativamente para a revitalização do carnaval de rua na cidade.
“Completamos 40 anos e achamos que o nosso ciclo chegou ao fim. Dever cumprido. A gente acha que ajudou a revitalizar o carnaval de rua do Rio de Janeiro”, disse Avelleira à Agência Brasil. Ele destacou que o DNA do Suvaco está presente em muitos blocos mais jovens que surgiram ao longo dos anos, servindo de estímulo para a diversidade atual de fanfarras e agremiações.
A fantasia para o desfile final será livre, e um dos sambas tocados será “Eco no Ar”, que ironizava os ecologistas participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente de 1992, no Rio. Apesar do encerramento, o bloco se inscreveu na Riotur para desfilar em 2026, juntando-se a outros 802 grupos que solicitaram autorização à prefeitura.
Para preservar a memória do grupo, está sendo criado um Museu Virtual em parceria com o Instituto de Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O projeto, liderado pela professora Anamaria Martins Moreira, envolve alunos de diversas áreas como computação, história e comunicação, e visa catalogar fotos, sambas, gravações e contextos históricos dos desfiles.
O site do bloco (suvacodocristo.com.br) já oferece acesso inicial ao ano de 1986, o primeiro desfile, incluindo reportagens da época e detalhes como a porta-bandeira Sonia Matos, criadora da arte da primeira camiseta. Atualmente, o time trabalha nos dados de 2012, ano em que o Suvaco ganhou o Prêmio Serpentina de Ouro do jornal O Globo pela melhor fantasia. A expectativa é que o museu completo esteja acessível em 2026, disponível gratuitamente para pesquisadores e público em geral.
Além disso, o desfile deste ano será filmado pela Casé Filmes, com roteiro de Aydano André Motta e Leonardo Bruno, para registrar os 40 anos de história e o legado do bloco. Um documentário sobre os primeiros 20 anos, produzido por Paola Vieira, uma das fundadoras, também será incorporado ao acervo, respeitando direitos autorais.
*Com informações da Agência Brasil