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Brasil

“Banco paralelo” movimentou mais de R$ 46 bilhões, segundo Receita Federal e Gaeco

A estrutura, considerada opaca e de difícil rastreamento, era usada para viabilizar operações fraudulentas

João Victor Rodrigues

28/08/2025 12h35

Foto: receita federal

A megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28/8) pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou um sofisticado ecossistema criminoso no setor de combustíveis, que usava fintechs para lavar dinheiro em larga escala.

Segundo as investigações, uma dessas instituições, identificada como um “banco paralelo” do esquema, movimentou mais de R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024. A estrutura, considerada opaca e de difícil rastreamento, era usada para viabilizar operações fraudulentas, como emissão de notas fiscais para importação de produtos químicos desviados, recolhimento de lucros ilícitos e integração do dinheiro no mercado formal.

Atuação em toda a cadeia de combustíveis


O esquema operava em diferentes etapas do setor, abrangendo importação, produção, distribuição e venda ao consumidor final. Estima-se que centenas de empresas tenham participado da rede, incluindo núcleos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e a outras organizações criminosas.

Um dos focos das apurações é o desvio de metanol, produto químico destinado a indústrias do Mato Grosso, mas que era redirecionado para postos de combustíveis da Grande São Paulo. O composto era usado para adulterar gasolina — em um dos núcleos, ele chegou a representar até 50% do produto comercializado.

O papel da BK Bank


Entre as instituições financeiras investigadas, destaca-se a BK Bank, fintech acusada de atuar como banco paralelo ao esquema. De acordo com o MPSP, a empresa centralizava movimentações de companhias de fachada responsáveis por fornecer documentos fiscais para aquisição do metanol.

Além das transações digitais, a BK Bank também recebeu depósitos em espécie — algo incompatível com a natureza da instituição. Entre 2022 e 2023, foram identificados mais de 10,9 mil depósitos dessa modalidade, somando R$ 61 milhões.

A Receita Federal também apura o envolvimento de pelo menos 40 fundos de investimento usados para ocultação patrimonial. Esses veículos, controlados pelas mesmas pessoas ligadas às empresas do esquema, operavam em conjunto com outras instituições de pagamento menores, criando uma estrutura de dupla camuflagem para os recursos ilícitos.

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