A população de baleias-jubarte saltou de cerca de 1,5 mil para mais de 35 mil em três décadas no Brasil. O crescimento representa a recuperação da espécie, que esteve ameaçada de extinção até ser protegida por lei em 1987.
O dado é resultado do trabalho do Instituto Baleia Jubarte, que monitora os animais há quase 40 anos. A estimativa recorde de mais de 35 mil baleias foi registrada em 2022. O cálculo deste ano ainda está em andamento e deve ficar um pouco abaixo, o que os pesquisadores atribuem a ciclos naturais da espécie.
A caça das jubartes, praticada desde o período colonial para extração de óleo, foi proibida no país em 1987. Um ano depois, pesquisadores encontraram uma pequena população sobrevivente no arquipélago de Abrolhos, na Bahia. A descoberta levou à criação do Projeto Baleia Jubarte, que se tornou um instituto em 1996.
“Na primeira estimativa populacional nossa, que foi no princípio da década de 90, tinha de 1,5 mil a 2 mil baleias. Hoje estamos com mais de 35 mil. O sentimento é de dever cumprido. A população se recuperou de verdade”, disse o fotógrafo e um dos fundadores da iniciativa, Enrico Marcovaldi.
A espécie saiu da lista de ameaçados de extinção em 2014. A principal missão atual do instituto, segundo seu diretor-executivo Eduardo Camargo, é “harmonizar a atividade humana com a conservação das baleias-jubartes e outros cetáceos”. Ele aponta a poluição por microplásticos e as mudanças climáticas como os novos desafios para os animais.
A caça no passado criou uma lacuna de dados sobre as jubartes. “Não se conhecia nada sobre as baleias, nem de onde elas vinham, pra onde iam… Só se sabia da sua extinção”, afirmou Camargo.
Uma das principais descobertas dos pesquisadores foi identificar o destino das baleias após deixarem o Brasil. Em 2006, a comparação de fotografias das caudas dos animais – que têm padrões únicos como impressões digitais – revelou que as jubartes que se reproduzem na costa brasileira se alimentam nas ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, na Antártica.
O trabalho de monitoramento envolve expedições científicas anuais para catalogar os animais e coletar amostras para biópsia. O programa de estágio da instituição já recebeu mais de 700 estudantes de graduação e apoiou cerca de 60 projetos de mestrado e doutorado. Mais de 130 artigos científicos foram publicados com base nesses estudos.
O financiamento principal do instituto vem da Petrobras, patrocinadora desde sua formalização. As pesquisas atuais investigam, entre outros temas, os efeitos das mudanças climáticas sobre a espécie.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil | Licença: Creative Commons Attribution 3.0 Brasil