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Brasil

Ato do vereador Lucas Pavanato na USP termina com agressões e estudante hospitalizado

Ato de Lucas Pavanato contra o aborto gera acusações entre estudantes e vereador e deixa aluno hospitalizado

Redação Jornal de Brasília

04/03/2026 17h08

vereador Lucas Pavanato na USP

Foto: Reprodução/ X

BRUNO LUCCA
FOLHAPRESS

O vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL) esteve na USP (Universidade de São Paulo) no início da tarde desta quarta-feira (4). A visita terminou em confusão, com alunos e membros da equipe do político feridos. Um aluno de graduação foi hospitalizado com a suspeita de lesão no tendão de Aquiles.

Pavanato montou uma barraca na praça do relógio, no centro da Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste. O estande tinha uma placa afirmando que “aborto é assassinato”. Segundo ele, a intenção era dialogar com os estudantes sobre o tema.

Estudantes intervieram ligando uma caixa de som e começaram a gritar “recua fascista, recua” para o vereador, acompanhado por uma equipe de apoiadores e seguranças armados. Logo, começou uma confusão.

De acordo com relatos de alunos, a equipe de Pavanato os agrediu, usando até spray de pimenta. Os estudantes revidaram, e o vereador entrou num carro para deixar a Cidade Universitária.

Nesse momento, ainda de acordo com os relatos, um estudante colocou sua bicicleta em frente ao veículo. Ele teria sido empurrado e levado socos e chutes de um grupo composto por, ao menos, cinco pessoas, precisando ser hospitalizado.

Outros alunos da universidade tiveram cortes e hematomas. A Polícia Militar foi acionada e instruiu todos a registrarem boletins de ocorrência.

À Folha, Pavanato diz ter ido ao campus dialogar e, ao ser agredido, sua equipe agiu em legítima defesa.

Ele afirma que uma garrafa foi quebrada em sua cabeça e um líquido espirrado em sua boca, causando ardor. “Estavam jogando pedras, pedaços de pau. Meu carro foi quebrado e equipamentos, furtados.”
Uma vereadora do interior que o acompanhava, relata, teria sido agredida por um homem. A ocorrência será registrada, informa o mandato.

Sobre os seguranças armados, Pavanato diz serem necessários. “Já recebi várias ameaças de morte, inclusive de alunos da USP, hoje, no Twitter.”

Em nota, a universidade disse repudiar “qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício da liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana”.

“A Universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo. A Universidade é o espaço correto para que se dê voz a diferentes opiniões, ao direito da sua expressão, resguardados, obviamente, os princípios da democracia, respeitosa, mútua entre as diferentes vozes que possam ter visões de mundo diferentes”, informou a reitoria.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) Livre da USP diz ser comprometido com a defesa da universidade pública e com o enfrentamento à extrema direita. “Pessoas como Lucas Pavanato, um provocador oportunista que usa dinheiro público para atacar estudantes, não são bem-vindas na nossa universidade.”

Antes de ir ao Butantã, na zona oeste da cidade, Pavanato esteve na Faculdade de Direito, no centro da capital, para realizar o mesmo ato. Lá, porém, os estudantes decidiram ignorá-lo.

HISTÓRICO

Em 2025, militantes de um grupo chamado União Conservadora e o vereador Lucas Pavanato estiveram no campus da USP em oito oportunidades. O alvo principal é a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas).

De acordo com os estudantes, os episódios geralmente acontecem quando políticos e militantes entram na Cidade Universitária com câmeras e celulares para gravar vídeos e fazer provocações. O objetivo, dizem, é produzir recortes que circulam nas redes sociais com a intenção de criar uma narrativa contra o ensino superior público.

A reitoria, à época comandada por Gilberto Carlotti Júnior, ofereceu reforço na segurança da unidade e acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado.

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