Menu
Brasil

Atletas da praia rechaçam opinião de Nalbert

Arquivo Geral

23/03/2007 0h00

A idéia de que os jogadores de vôlei de praia não se dariam bem nas quadras, defendida recentemente pelo ex-capitão da seleção brasileira Nalbert, foi rechaçada vigorosamente pelos atletas que estão disputando a terceira etapa do circuito brasileiro na cidade mineira de Juiz de Fora. Há dias, o campeão olímpico em Atenas, ao anunciar a disposição de retornar ao voleibol “indoor”, justificou a descrença no sucesso dos ex-colegas de areia com base na avaliação de que se trata de esportes diferentes.

“Isso é mais do que relativo. Há casos e casos. Meu parceiro, por exemplo, integrou a seleção brasileira infanto-juvenil de quadra e só veio para a praia por opção pessoal”, afirmou o atual campeão mundial Márcio, que busca neste fim de semana a quarta final consecutiva ao lado do companheiro Fábio Luiz.

Na opinião do habilidoso cearense, considerado o melhor levantador do circuito mundial em 2006, a mudança exigiria apenas um período de adaptação. “Nalbert sentiu isso de perto ao deixar as quadras. Mas essa é uma mudança mais complicada, porque o vôlei de praia tem características próprias, como os fatores climáticos. No indoor você não joga com sol na cara, debaixo de chuva, vento forte, areia no rosto… Além disso, é obrigado a cumprir uma série de funções. Na quadra é apenas uma para cada um”, compara.

Bicampeão mundial sub-21, o carioca Pedro Solberg foi ainda mais incisivo. “Não concordo de maneira alguma com Nalbert. Eu poderia jogar tranquilamente na quadra, mas preferi o vôlei de praia. E aqui há um monte de jogadores com a mesma condição. É só uma questão de treinar. Thiago, Jorge Luiz, Fabiano, enfim, tem muita gente que poderia jogar tão bem nas quadras quanto nas areias. O Thiago vai buscar a bola tão alto quanto o Samuel, do Minas, e bate forte como poucos. Lá, o jogo é mais pesado, na força bruta; aqui, é mais pensado”, alega o filho da ex-jogadora Isabel Salgado.

Nalbert jogou as duas últimas temporadas no vôlei de praia, a última junto com Luizão, e seu melhor resultado foi o segundo lugar em João Pessoa em 2006. E sua tese não encontra eco nem mesmo em Marcelo Negrão, outro nome histórico do vôlei brasileiro, medalha de ouro nas Olimpíadas de Barcelona em 1992 e que atualmente faz dupla com Giuliano nas areias.

“Os atletas das cinco melhores duplas do ranking brasileiro jogariam sem problemas nas quadras, e até mesmo a maioria dos demais poderia fazer a troca. É o caso do Bruno, que se sairia muito bem como levantador ou líbero. A principal diferença é a velocidade do jogo, mas a adaptação é possível. Das quadras para as areias é até mais difícil, porque são apenas dois jogadores por equipe. Tivemos até o exemplo recente do Adriano Fonseca, que não quis jogar a Superliga pelo Álvares Cabral, de Vitória, e optou pela praia”, encerrou.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado