Um levantamento divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dá uma pista sobre os prejuízos da divisão desigual das atividades domésticas para mulheres e crianças. Quando estão no auge da capacidade laboral, thumb nove em cada dez mulheres com idades entre 25 e 49 anos (94%) também se ocupam, muitas vezes sozinhas, do trabalho em casa. Entre as mulheres com mais de 10 anos, esse índice chega a 65,4%.
Em contrapartida, apenas 35% dos homens declararam ao IBGE realizar atividades domésticas. De acordo com a socióloga Sueli Gomes, professora da UniversidadeFederal Fluminense (UFF), além de ter o desenvolvimento profissional prejudicado, as mulheres ainda enfrentam o dilema de não ter com quem deixar os filhos menores enquanto trabalham. Nas famílias de renda mais baixa, essa tarefa acaba ficando por conta das crianças mais velhas, em geral, meninas.
Em 2005, segundo a pesquisa do IBGE, cerca de 83% das meninas de 10 a 17 anos realizavam afazeres domésticos. A proporção entre meninos dessa mesma faixa etária caía para 47,4%. As meninas também gastavam mais horas nessas atividades: 14,3 horas semanais. Já os meninos dedicavam 8,2 horas por semana às atividades domésticas.
“Isso aumenta grandemente o risco de acidentes domésticos. As crianças não estão prontas para assumir tarefas como cozinhar e cuidar dos irmãos menores. Elas se machucam, não têm a atenção desenvolvida e voltada para essas atividades”, alerta a socióloga Sueli Gomes.
Segundo ela, a situação é ainda pior quando se trata de mulheres de classes sociais mais baixas. Elas contam com menos possibilidades financeiras de contratar profissionais para assumir essas tarefas ou para colocar, por exemplo, seus filhos em creches, normalmente privadas.
O levantamento do IBGE sobre as atividades domésticas foi realizado com base nas informações sobre atividades domésticas contidas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referentes aos anos de 2001 e 2005.