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Brasil

Arte da xilogravura passa de pai para filho no interior de Pernambuco

Arquivo Geral

23/02/2009 0h00

Num mundo globalizado, purchase em que o videogame disputa com a bola de futebol a preferência dos meninos, order um garoto de 8 anos fica na dúvida todos os dias: vai para o computador ou pratica uma arte tradicional, sale ensinada pelo pai? À margem da BR-232, na cidade de Bezerros, esse é o dilema enfrentado todos os dias pelo menino Joaquim Bacaro Borges, filho de J. Borges, considerado o maior mestre da xilogravura no Nordeste.


Caçula dos 18 filhos de J. Borges, que já expôs suas obras em mais de dez países, Bacaro acompanha os passos do pai e de quatro irmãos desde os 3 anos de idade. A mãe de Bacaro, Nena, conta que, nessa idade, ele já machucava os dedos esculpindo gravuras na madeira. “Assim que curava, ele voltava a mexer de novo.”


Bacaro, que tem esse nome em homenagem a um artista italiano radicado em Olinda, Giuseppe Bacaro, hoje expõe suas obras na Casa de Cultura Serra Negra, onde funciona o ateliê do pai. Ali, sua mãe já vende algumas de suas matrizes e gravuras impressas no papel. Os preços variam, mas uma gravura normalmente sai por R$ 20.


Bacaro, que torce pelo Náutico, clube de futebol de Pernambuco, está na terceira série do ensino fundamental. De tanto assinar seu nome ao contrário na madeira – para sair do lado certo no papel – ele se acostumou a escrever assim nos cadernos. A professora sempre chama atenção quando ele usa o jeito correto de deixar sua marca no material errado, nesse caso, o papel. “Eu apago e escrevo de novo”,conta ele.


Bacaro tem uma característica pouco comum entre os meninos de Bezerros: não é lá muito fã de carnaval. Prefere os controles do computador ou a faca e a madeira para se divertir. Diz que tem muitos amigos na escola e que nenhum conhece suas obras, nem a favorita, o caranguejo, que já esculpiu diversas vezes.


Sempre em dúvida entre o computador e a xilografia, a modernidade e a tradição familiar, a única certeza do menino é que, quando crescer, quer ser um artista como “painho”.

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