Entre os brasileiros que cursaram um ou mais anos do ensino médio, apenas 38% atingem o nível de alfabetização plena, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa.
Marina Morena Costa, iG São Paulo
Entre os brasileiros que cursaram um ou mais anos do ensino médio, apenas 38% atingem o nível de alfabetização plena, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa. O esperado para essa parte da população seria um índice de 100%.
A alfabetização plena também não é totalmente atingida no ensino superior: 68% dos indivíduos com este grau de instrução apresentam pleno domínio das habilidades de leitura/escrita e das habilidades matemáticas.
Desde 2001, o indicador calcula os níveis de alfabetismo dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade, residentes em zonas urbanas e rurais de todas as regiões do País. O Inaf classifica a população de acordo com suas habilidades em leitura/escrita (letramento) e em matemática (numeramento). Os indivíduos são divididos em dois grupos principais e em quatro níveis: alfabetismo e alfabetismo rudimentar (alfabetos funcionais); alfabetismo básico e alfabetismo pleno (alfabetizados funcionalmente).
Ensino fundamental
O quadro se agrava entre os menos escolarizados. Dentre os que cursam ou cursaram do 6º ao 9º ano do ensino fundamental (antiga 5ª a 8ª série), apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos brasileiros com esta escolaridade estão no nível rudimentar.
Outro dado relevante apurado pelo Inaf aparece entre os brasileiros que estudaram até o 5º ano do ensino fundamental (antiga 4ª série): 54% atingem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo. Mais grave ainda, apontam os pesquisadores, é o fato de que, entre esses indivíduos, 10% são considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a quatro anos do ensino fundamental.
Analfabetismo funcional
O dado positivo da pesquisa é a redução do alfabetismo funcional dos brasileiros entre 15 e 64 anos. A porcentagem de “analfabetos absolutos” caiu de 9%, em 2007, para 7%, em 2009. Na comparação com 2002, a queda é mais expressiva, de 5 pontos percentuais.
O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34%, em 2002, para 47%, em 2009.
Veja os níveis de alfabetismo considerados pelo Inaf:
Analfabetos funcionais:
Analfabetismo – Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases ainda que uma parcela consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.)
Alfabetismo rudimentar – Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica
Alfabetizados funcionalmente:
Alfabetismo básico – Pessoas que já leem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem problemas envolvendo uma sequência simples de operações e têm noção de proporcionalidade. Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas ou relações
Alfabetismo pleno – Pessoas cujas habilidades não mais impõem restrições para compreender e interpretar elementos usuais da sociedade letrada: leem textos mais longos, relacionando suas partes, comparam e interpretam informações, distinguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem problemas que exigem maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada mapas e gráficos