Leandro Safatle assumiu recentemente a presidência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em meio a um período de transformações no setor regulatório sanitário. Em entrevista à Agência Brasil, ele anunciou medidas para otimizar as filas de análises processuais e destacar inovações desenvolvidas no país.
Uma das prioridades é reduzir as filas de análises de medicamentos, vacinas e dispositivos médicos. Para isso, a Anvisa aprovou, em dezembro, uma resolução com medidas excepcionais e temporárias, como a criação de uma força-tarefa interna, o uso de confiança regulatória (reliance) em estudos clínicos internacionais e análises otimizadas conjuntas. A expectativa é cortar as filas pela metade em seis meses e normalizar os processos em um ano. Uma sala de situação monitora diariamente o progresso, e um comitê garante transparência com a sociedade e o setor regulado.
O reforço de pessoal é outro pilar das iniciativas. Cerca de 100 novos especialistas, aprovados em concurso, serão nomeados entre janeiro e fevereiro, representando o maior contingente em dez anos. Eles serão direcionados prioritariamente para acelerar as análises, sem comprometer o rigor científico e a segurança sanitária.
Safatle destacou o recém-criado Comitê de Inovação, que realiza sua primeira reunião em dezembro para acompanhar projetos nacionais de impacto na saúde pública. Entre os selecionados estão a polilaminina, desenvolvida por pesquisadores brasileiros para tratar lesões na medula espinhal – cuja fase 1 de estudos clínicos foi autorizada este mês –, a vacina contra chikungunya, o método Wolbachia para combate à dengue e endopróteses. O comitê visa fornecer suporte à equipe técnica e elevar esses casos à alta gestão da agência.
“Estamos lidando com inovação feita no país”, enfatizou Safatle, contrastando com a predominância de avanços estrangeiros. Ele defendeu a celeridade regulatória para esses projetos, mantendo os prazos necessários para estudos clínicos.
Olhando para o futuro, a Anvisa busca consolidação como autoridade sanitária de referência. Em 2026, a agência pretende obter qualificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), posicionando-se como referência nas Américas e globalmente.