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Anvisa coloca em xeque a Sputnik V

A agência debateu a respeito do trabalho de avaliação que a instituição realizou no pedido de uso emergencial da vacina russa, Sputnik V, no Brasil

Foto: Agência Brasil

O diretor-presidente da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (29) para tratar a respeito do trabalho de avaliação que a instituição realizou no pedido de uso emergencial da vacina russa, Sputnik V, no Brasil.

Segundo a decisão da agência, a Anvisa recusou o pedido de utilização do medicamento na população brasileira, entre outros motivos, pela falta de documentação apresentada pelo Instituto Gamaleya, desenvolvedor do imunizante.

“As informações a respeito sobre a presença de adenovírus replicantes constam dos documentos entregues a Anvisa pelo desenvolvedor da vacina Sputnik V. O desenvolvimento de uma vacina é complexo. É de absoluta normalidade as necessidades de ajustes. Por tanto, a Anvisa, em cumprimento do seu dever, está sempre receptiva para avaliar novos estudos e informações que podem ser enviadas por desenvolvedor no processo de uso emergencial ou em pedidos de importação”, destacou.

“O inimigo é um só…”

Antonio Barra Torres realizou um discurso emblemático, em que destacou a atuação da Anvisa e de seus colaboradores.

“Há muito tempo, todos os limites da dedicação, do empenho e do esforço profissional já foram superados por todos nós, principalmente, pelos servidores concursados desta casa, aqui representados pelo gerente-geral Gustavo Mendes. Esses limites do quanto é possível se doar e fazer de sua própria vida renúncia já foram cruzados há muitos meses. Nós temos, repetidas vezes, dito ‘o inimigo é um só’. Ele é invisível, é insidioso e capaz de colocar indivíduos, cidades, países, sociedades, continentes, todo o planeta de joelhos. Tendo que comparecer dia após dia a cerimônias fúnebres, famílias sendo ceifadas. Vidas com promessa de futuro sendo interropidas precocemente”.

Por fim, a autoridade fez um apelo à sociedade.

“Conclamo a todos a reflexão do que é verdadeiramente útil, e mais do que isso, imprescindível nesse momento. Se a resposta não for a união dos esforços em detrimento de toda e qualquer diferença política, social, econômica, o resultado é esse que já temos. 400 mil vidas perdidas. Para virar esse jogo, a única possibilidade é o esforço coordenado e unido daqueles que têm a missão de, neste momento, estarem a frente das decisões. É isso que fizemos, norteados pelas informações que recebemos, pelas pesquisas que efetuamos, pelas viagens que fizemos. E é um retrato temporal. Ele pode ser modificado. Não estamos fechando portas. Esse dados apresentados podem ser revistos, corrigidos e reenviados. Porém a decisão do regulador é o retrato do momento. E, atualmente, não foi possível aprovar, o que nos deu grande tristeza. Foi o único motivo. O nosso país tem uma relação longa e sólida de cooperação com todos as nações. E o que estamos falando aqui hoje é puro e tão somente ciência. Ciência passível de ser novamente apresentada com novos dados que forem necessários. Usemos máscaras, mantenhamos o distanciamento social e efetuemos a melhor higiene de nossas mãos. Mesmo com o advento das vacinas, são esses três fatores que nos manterão em segurança neste imenso desafio”, finalizou Antonio Barra Torres.

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