Ao contrário da sexta-feira, quando saiu de quadra lamentando o alto número de erros e a falta de concentração na vitória de virada sobre o Japão por 3 sets a 1, neste sábado, após triunfo convincente sobre Cuba, o técnico da seleção feminina de vôlei José Roberto Guimarães não escondeu sua alegria pela atuação mais coesa da equipe.
Pela semifinal do Grand Prix, disputado na cidade de Reggio Calabria, na Itália, a equipe derrotou as cubanas por 3 sets a 0, com parciais de 25/30, 25/15 e 25/18, e garantiu a 12ª vitória consecutiva na competição, além de vaga na decisão deste domingo, contra a Rússia. Favorito, o Brasil vai atrás do hexacampeonato para manter a hegemonia no circuito nos últimos anos.
No jogo, Zé Roberto destacou o bom trabalho mental e em fundamentos importantes. “A equipe jogou bem, concentrada o tempo todo. Cuba é uma equipe que ataca alto, mas nossa defesa se posicionou bem e o bloqueio funcionou. Ainda perdemos alguns contra-ataques, mas no geral fomos bem. O saque foi fundamental para ganharmos os dois primeiros sets”, explicou.
O treinador só não ficou contente com o set decisivo. “O terceiro set me preocupou, pois Cuba abriu 8/2 e uma diferença de seis pontos é complicada de tirar. Porém, novamente o saque ajudou e vencemos. A Carol e a Renatinha também entraram muito bem e poder contar com todas as jogadoras é o mais importante desse time”, analisou.
Quem concordou com o comandante foi a meio-de-rede Fabiana, um dos destaques defensivos da equipe. “Nosso saque entrou e foi fundamental. Não deixamos Cuba jogar, apesar de vacilarmos no início do terceiro set. Não caímos na provocação delas e isso também foi importante”, garantiu a jogadora.
No fim do jogo, a líbero Arlene era uma das mais animadas. Depois de sambar com a pequena torcida que incentivou a equipe, ela sentou no corredor de acesso ao vestiário e desabafou. “Enquanto não fazemos o último ponto, é uma ansiedade só. Jogar contra Cuba é sempre difícil, mas não demos chance para elas. Estudamos muito o adversário e fizemos o que o Zé pediu”, comemorou Arlene.
A levantadora Carol e a oposto Renatinha entraram na quadra quando o Brasil perdia o terceiro set e mais uma vez mostraram a força do grupo de Zé Roberto. “Foi um jogo bom. Entramos em um momento difícil e fico feliz de ter ajudado a equipe. O Zé sabe que pode contar com todo mundo a qualquer momento. Vencer Cuba sempre tem um gostinho especial por causa da rivalidade”, disse Carol.
Importante para a virada no terceiro set, a meio-de-rede Walewska entrou para sacar quando o Brasil perdia por 10 a 4 e marcou nada menos que dez pontos seguidos, saindo apenas com o placar mostrando 14 a 10. Mesmo com a série incrível, que recolocou o grupo no jogo, ela tratou de usar a modéstia.
“Saque nem é o meu forte”, garantiu. “Mas naquele momento, o time estava em uma situação difícil e precisava dos pontos. Conforme fui acertando, aumentei a força e a velocidade. Deu certo”, disse a mineira, que recebeu elogios das companheiras. “Abençoada seja aquela seqüência da Walewska. Foi o que nos colocou de novo no jogo”, comemorou Arlene.