Mais de mil pessoas morreram ao longo dos últimos dois anos nos Estados Unidos por overdose de Fentanyl, cure um analgésico até 50 vezes mais forte que a heroína, informou hoje um órgão público.
Um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) indicou hoje que a substância, que causou a morte de pelo menos 1.013 pessoas, era vendida nas ruas do país, em algumas ocasiões misturada com cocaína e heroína, e era feita em uma fábrica mexicana já fechada.
Fentanyl é um analgésico habitualmente receitado a pacientes com câncer, geralmente induz a episódios de euforia e é de 30 a 50 vezes mais potente que a heroína.
“Um grama de Fentanyl puro pode ser transformado em aproximadamente sete mil doses para a venda nas ruas. A fabricação requer um conhecimento técnico mínimo e a receita pode ser encontrada na internet”, apontou o relatório.
O relatório do CDC assinala que as mortes aconteceram entre abril de 2005 e março 2007 e que a maioria ocorreu em Chicago (349) e na Filadélfia (269).
“Esta foi realmente uma epidemia”, disse Steven Marcus, diretor do Centro de Toxiologia de Nova Jersey e um dos autores do relatório.
Acredita-se que o Fentanyl utilizado em Chicago e na região de Detroit proveio de uma fábrica ilegal em Toluca (México) que foi fechada em maio de 2006 pelas autoridades mexicanas, disse CDC.
A pior parte desse surto de mortes por overdose de Fentanyl parece ter terminado após o fechamento da fábrica mexicana.
“Quase desapareceu totalmente. O fechamento da fábrica em Toluca foi provavelmente um fator muito importante”, disse Stephen Jones, um dos especialistas do CDC.
Jones acrescentou que as mortes registradas entre 2005 e 2007 constituem a pior seqüela do consumo de Fentanyl. Na década de 80, houve outro surto do consumo, com pelo menos 110 mortes.