Após nove anos, a Stock Car resolveu introduzir um novo carro nesta temporada. Anunciado como uma série de benefícios, o modelo apresentou um defeito grave depois de entrar na pista. Em função da localização do escapamento, a temperatura no cockpit ficou elevada e o risco de incêndio aumentou. O problema é o maior desafio para a primeira prova da temporada, neste domingo, em Interlagos.
“Realmente, todo mundo já vinha falando que o carro é mais quente do lado de dentro. Temos alguns dias para tentar buscar uma solução para o calor e conhecer melhor o carro. O que chega a incomodar o corpo não é nem o cansaço físico, mas sim o calor mesmo”, declarou o piloto Ricardo Sperafico na noite da última segunda-feira, durante a apresentação da equipe Panasonic Racing, em São Paulo.
No treinamento realizado nesta terça-feira em Interlagos, Cacá Bueno teve seu carro incendiado. O piloto saiu ileso do incidente, mas o modelo da Red Bull Racing ficou comprometido. Os mecânicos da equipe trabalham para reparar o bólido a tempo da disputar os treinos oficiais desta sexta-feira. A primeira prova acontece no domingo, no mesmo autódromo.
No novo modelo, projetado por Nicola Scimesa e Gustavo Letho, os dois canos do escapamento passam pelo cockpit e saem pelo lado direito. De acordo com os pilotos da Panasonic Racing, a temperatura fica ao redor dos 60º C dentro do carro. Para a segunda corrida da temporada, o mesmo desenho do ano passado deve ser recuperado, com um cano de escape de cada lado.
Diante do problema, a organização liberou as equipes para buscarem uma solução. Ricardo Zonta testou uma manta para diminuir o calor. No entanto, ele não acredita que a medida possa resolver a questão, já que o risco de incêndio com o equipamento é alto. Qualquer saída encontrada por um determinado time ainda precisaria ser aprovada pela organização antes de ser aplicada aos demais.
“Pela quantidade de fumaça que vem para dentro do carro, a manta não é uma solução viável. Ninguém conhece o carro 100%, mas ainda temos alguns dias de treino antes da primeira etapa. A alta temperatura vai dificultar que os equipamentos agüentem até o final da corrida”, disse. Diferente de Sperafico, que deu algumas voltas na última segunda-feira, Zonta apenas treinou saídas e entradas dos boxes, por precaução.
Sem soluções à vista, os pilotos já se preparam para correr neste domingo com um intenso calor no cockpit. “Acho que todo mundo vai ser obrigado a encarar a temperatura interna. Precisamos tomar muita água e ver o que acontece. Se não tiver outra opção, tem que agüentar e fazer de conta que não está acontecendo nada”, disse Sperafico, resignado.