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A filha de sete anos da policial militar Gisele Alves recebeu hoje três parcelas da pensão pela morte da mãe. O advogado da família da vítima afirmou que a quantia ficou abaixo do esperado.
Pensão acumulou três meses e totalizou R$ 7.100, de acordo com informações do banco, segundo o advogado. José Miguel da Silva disse que, em uma divisão simples por três, o valor mensal será em torno de R$ 2.100. “Longe dos R$ 2.500 esperados”, criticou. Valor é dez vezes menor do que os vencimentos do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que deve receber cerca de R$ 21 mil na reserva.
Advogado afirmou que pretende adotar medidas legais para buscar um benefício maior para a filha de Gisele. “Evidentemente, nós estaremos tomando medidas cabíveis legais para que a filha da Gisele tenha, sim, uma aposentadoria digna”, ressaltou José Miguel da Silva.
Ele declarou ainda que quer que as despesas sejam pagas por Geraldo Neto. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o defensor falou que a intenção é que esses custos “saiam do bolso do senhor tenente-coronel”. O benefício deve ser pago até a maioridade, em 2037, conforme prevê a lei 1.354/2020.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio contra Gisele, foi aposentado pela PM. Ele está preso preventivamente desde 18 de março e é réu por feminicídio e fraude processual. A passagem para a reserva não interfere na sua responsabilização penal, caso seja condenado.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido em São Paulo. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, mas a morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia.
Em depoimento, Rosa Neto afirmou que foi até o quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que “ainda a amava, mas entendia ser melhor a separação porque o relacionamento não estava funcionando”. Depois disso, segundo ele, a esposa se levantou de forma “exaltada”, o mandou sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.
Tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo, cerca de um minuto após entrar no banho. Ao abrir a porta, teria visto Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para o amigo desembargador.
Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Rosa Neto era “extremamente conturbado”. Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.
O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para “morte suspeita” após depoimento da mãe da vítima. A ocorrência é investigada pelo 8º Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar.
Corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. Laudo apontou que o corpo da soldado tinha “lesões contundentes” na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas.
Rosa Neto foi preso em São José dos Campos (SP) no dia 18 de março. Desde então, está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. A Justiça de São Paulo negou o pedido liminar (medida provisória e urgente) para soltar o tenente-coronel.
O advogado de Rosa Neto declarou estar “estarrecido” pela prisão preventiva (por tempo indeterminado) do cliente ter sido mantida nas justiças comum e militar. No dia 19 de março, Eugênio Malavasi ressaltou que o cliente colabora com as autoridades competentes desde o início das apurações.
No dia 11 de março, o tenente-coronel negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. “As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade”, disse, em entrevista à Record TV.