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Advogada é presa em GO após criticar delegado nas redes socias

Semanas antes, Aricka Cunha havia registrado um boletim de ocorrência no qual alegava ter sido ofendida por uma pessoa na internet

Redação Jornal de Brasília

17/04/2026 12h10

advogada é presa em go após criticar delegado nas redes socias

Foto: Reprodução / Redes Sociais

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

Uma advogada de Cocalzinho de Goiás (GO) foi presa na quarta-feira, dentro de seu escritório, após publicar nas redes sociais críticas a uma decisão da delegacia da cidade.

Semanas antes, Aricka Cunha havia registrado um boletim de ocorrência no qual alegava ter sido ofendida por uma pessoa na internet. A advogada estava incentivando a população a assinar uma petição pedindo à prefeitura a revitalização das ruas do município. Em reação a isso, um homem -supostamente servidor público- teria comentado em seu Instagram: “loira idiota, sabe de nada”.

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, no entanto, arquivou a queixa dela no dia 26 de março. O investigador alegava que o arquivamento provisório ocorreria até que houvesse redução do número de procedimentos ativos na unidade ou aumento do efetivo policial para desenvolver novas investigações.

Depois disso, Aricka criticou a medida em seu Instagram. Ela fez uma publicação contando o que havia acontecido e incluiu foto de um trecho do despacho policial, informando ainda que iria judicializar o arquivamento. O nome do delegado não foi divulgado na postagem dela.

“Fiz o que qualquer cidadão acredita ser o correto: procurei a delegacia. O resultado? Arquivamento. É nesse momento que muita gente desiste, porque percebe que está lutando sem proteção. Mas é aqui que nasce a diferença: ou você recua ou entende que o problema é maior do que você”, disse Aricka Cunha, em publicação.

Aricka sugeriu ainda um sistema policial falho. “Sim, existe perseguição. Sim, o sistema falha. Sim, você pode se sentir sozinho. Mas desistir só fortalece tudo isso”, acrescentou na época.

Santos, então, foi até o escritório para prendê-la em flagrante por suposta difamação pública contra ele.

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que a mulher está sentada e se recusa a levantar diante do homem, que está segurando um fuzil e insistindo pela prisão. Antes de ser conduzida, ela liga para uma representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para comunicar a situação.

Delegado disse que a advogada o difamou. “Falava que registrou a ocorrência e que não foi feito nada por causa da pessoa dela. Mas, na verdade, tinha uma justificativa”, afirmou, em gravação enviada a alguns sites de notícias da cidade. Ele explicou que ela foi autuada também por desacato, injúria e desobediência, ocorridas no momento da detenção.

A mulher foi solta no mesmo dia e a Polícia Civil informou que está acompanhando o caso. “O fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido”, disse a corporação em nota.

O Sistema de Defesa das Prerrogativas da OAB também determinou a imediata instauração de procedimentos contra o delegado. A decisão foi formalizada no dia seguinte à prisão, citando uma “série de violações que ferem o Estatuto da Advocacia, como também os direitos fundamentais da profissional”.

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