JÉSSICA MAES
FOLHAPRESS
O Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no litoral sul baiano, é o mais novo candidato do Brasil a integrar a lista de Patrimônio Mundial Natural da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O dossiê que embasa a candidatura foi entregue pelo governo brasileiro à entidade nesta quinta-feira (29). O título é dado a lugares de excepcional valor, natural ou cultural, para toda a humanidade.
A candidatura será analisada pelos órgãos consultivos da Unesco, e a previsão é que o resultado do pleito ocorra em julho de 2027.
Criado em 1983, ele foi o primeiro parque nacional marinho do país e faz parte do banco dos Abrolhos, o maior complexo recifal do Atlântico Sul. O local abriga formações únicas, os chapeirões -colunas construídas nos últimos 8.000 anos por corais, algas e outros invertebrados.
Além do ecossistema único e da biodiversidade associada a ele, a área também é um berçário de baleias-jubarte, que viajam da Antártida até as águas quentes da Bahia para se reproduzir e cuidar dos filhotes.
“Ao avançar com a candidatura do parque como Patrimônio Mundial Natural, o Brasil reafirma seus compromissos com a proteção dessa área de grande importância ambiental e com a cooperação internacional, conservando regiões vitais para proteção das espécies migratórias”, afirma, em comunicado, o secretário-executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), João Paulo Capobianco.
De 23 a 29 de março, o Brasil sediará, em Campo Grande, a 15ª edição da cúpula da ONU sobre espécies migratórias. Seguindo o modelo das conferências climáticas, a reunião global irá tratar da conservação de espécies silvestres que cruzam fronteiras internacionais.
O evento será presidido por Capobianco, que diz que a candidatura de Abrolhos a patrimônio da Unesco reforça a convergência entre a agenda de biodiversidade brasileira e os compromissos assumidos no âmbito da convenção.
O documento de candidatura foi elaborado pela pasta ambiental junto ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e ao Ministério das Relações Exteriores, com apoio da ONG WWF-Brasil e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade.
Segundo a ministra Marina Silva, o eventual reconhecimento de Abrolhos pela Unesco contribuiria para que “os ecossistemas marinhos brasileiros tenham o destaque compatível com sua relevância global”.
Desde o início do terceiro governo Lula, entraram na lista da Unesco os Lençóis Maranhenses e o Cânion do Peruaçu, em Minas Gerais. Atualmente, 32 localidades brasileiras são consideradas patrimônios da humanidade pela ONU.