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Bolsonaro mente de novo sobre remédio ineficaz e manda ministros gravarem vídeos pró-cloroquina

“Ah, não tem comprovação científica. Mas não tem cientificamente dizendo o contrário também”, acrescentou Bolsonaro.

RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF

Em meio à CPI da Covid que investiga a atuação do governo no enfrentamento à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro voltou a mentir sobre a hidroxicloroquina, medicamento ineficaz contra a Covid, e disse que vai divulgar um vídeo em que seus ministros irão propagandear a substância com a afirmação: “Eu tomei”.

“Ontem [sexta-feira] retornando de Rondônia, no avião tinha alguns ministros, a gente vai fazer um vídeo na semana, os 22 ministros, todos aqueles que tomaram hidroxicloroquina vão falar ‘eu tomei’. É a alternativa no momento”, disse Bolsonaro neste sábado (8), em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. As declarações foram transmitidas pelas redes sociais do presidente.

Bolsonaro afirmou também que, na CPI, “só se fala em cloroquina”. “Mas o cara que é contra não dá alternativa. Tenho certeza que alguém aqui tomou hidroxicloroquina”, disse, dirigindo-se a seus simpatizantes. Parte dos presentes respondeu afirmativamente.

“Ah, não tem comprovação científica. Mas não tem cientificamente dizendo o contrário também”, acrescentou Bolsonaro.

A ampla recomendação dada pelo governo brasileiro para o uso da hidroxicloroquina e de outros remédios sem eficácia comprovada é um dos focos de investigação da CPI.

Desde o início da pandemia Bolsonaro defende enfaticamente o medicamento, mesmo com diversos especialistas e estudos apontando que a droga não produz efeitos contra o coronavírus e que está associada a efeitos colaterais.

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Das seis farmacêuticas que fabricam cloroquina ou hidroxicloroquina no Brasil, por exemplo, quatro não recomendam que o remédio seja usado para tratar a Covid-19. Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que usar verba do SUS para a distribuição de cloroquina a pacientes com Covid é ilegal.

Esses remédios são usados há décadas para outros objetivos, mas foram descartados pela comunidade científica e médica para o tratamento da Covid por não demonstrarem capacidade de barrar o novo coronavírus, prevenir a doença ou tratá-la.

Até o momento, a CPI tomou o depoimento de dois ex-ministros da Saúde de Bolsonaro –Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich– e do atual titular da pasta, Marcelo Queiroga.

Teich afirmou que deixou o cargo de ministro por não contar com autonomia para executar suas funções, citando especificamente discordâncias sobre a eficácia e a extensão do uso da cloroquina.

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Mandetta também criticou a ampla prescrição do medicamento, enquanto Queiroga evitou responder a perguntas sobre se concorda com a posição pró-cloroquina de Bolsonaro.

Em um sinal da estratégia que o governo pretende adotar na CPI, Bolsonaro afirmou que quer apurar um estudo realizado em Manaus ainda no ano passado. Nesse estudo, pacientes que tomaram altas doses de cloroquina morreram.

“Agora, apesar de sermos minoria na CPI, nós queremos apurar o caso de Manaus. Lá deram uma dose quádrupla em gente, irmãos nossos, e entraram em óbito. Os nomes das pessoas que participaram dessa experiência nós já temos”, disse.

O presidente ainda voltou a sugerir que as empresas farmacêuticas não teriam interesse em investir em possíveis remédios contra o vírus. Mesmo já estando na faixa etária de vacinação no Distrito Federal, ele reafirmou que pretende ser o último a se imunizar.
A indústria farmacêutica, como regra, visa dinheiro. E remédio barato não tem vez”, afirmou.

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Na conversa com apoiadores, Bolsonaro voltou a investir contra governadores e prefeitos e os acusou de destruir empregos no Brasil com as políticas de isolamento social. “Não tá fácil emprego no Brasil. E quem destruiu emprego não fui eu, foram governadores e prefeitos que fecharam tudo. Por mim nada seria fechado”, declarou.

As informações são da FolhaPress

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