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Bannon deve ser acusado de obstruir investigação de ataque ao Capitólio

Na quarta passada, os advogados do estrategista enviaram uma carta ao Comitê em que afirmava que ele não iria prestar qualquer testemunho

Por FolhaPress 18/10/2021 4h40
Imagem: Eric Baradat / AFP

SÃO PAULO, SP

O estrategista de extrema-direita Steve Bannon, guru do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ídolo dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Brasil, notadamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deve ser acusado de desacato criminal pelo Comitê dos Representantes, responsável por investigar os ataques em janeiro contra o Capitólio, a sede do Congresso norte-americano.

Bannon se recusou a comparecer à audiência que estava marcada para a última quinta-feira (14). Na ocasião, ele alegou estar protegido por privilégios executivos, mesmo sem ocupar qualquer cargo dentro da Casa Branca, atualmente gerida pelo democrata Joe Biden, de quem ele é opositor.

Na quarta-feira passada (13), os advogados do estrategista enviaram uma carta ao Comitê em que afirmava que ele não iria prestar qualquer testemunho ou fornecer documentos enquanto o grupo não chegasse a um acordo com Trump. Na ocasião, a defesa apontou que o assunto diz respeito ao Comitê e o conselho do ex-presidente, e que seu cliente “não está convocado a responder neste momento”.

O deputado democrata e presidente do Comitê, Bennie Thompson, acusa Steve Bannon de se “esconder atrás de declarações insuficientes e vagas do ex-presidente Donald Trump”. Após a recusa do guru, a imprensa norte-americana avalia que a punição a ser aplicada a ele servirá como um exemplo de como o Congresso do país responderá a esse tipo de situação e também até que ponto eles pretendem ir para punir os culpados pela invasão ocorrida em 6 de janeiro.

O Comitê da Câmara averigua se há algum vínculo entre Trump e Bannon nos fatos que levaram até os ataques que tentavam impedir a confirmação da vitória de Biden sobre o republicano. Em seu podcast “War room”, o guru da extrema-direita admitiu ter aconselhado Trump a “eliminar o governo Biden ainda no berço, por sua incompetência e ilegitimidade”.

Após votação do Comitê, a acusação será encaminhada ao plenário da Câmara, formado por maioria democrata, e deverá ser confirmada. Se culpado, Bannon pode ter que pagar multa, além de enfrentar 12 meses de prisão. Em seguida, o processo segue para o Departamento de Justiça dos EUA, e não tem prazo para ser concluído.

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Os democratas vêm nesse movimento de Steve Bannon mais uma de suas artimanhas para atrasar as investigações. Ele chegou a ser preso em agosto do ano passado acusado de desviar dinheiro de uma campanha para arrecadar fundos para a construção de um muro na fronteira com o México, uma das principais bandeiras que elegeu Donald Trump em 2016. Em janeiro, pouco antes do fim de seu mandato, o republicano concedeu perdão presidencial ao guru.








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