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Síndico vira réu por homicídio qualificado de corretora em Caldas Novas

Justiça aponta emboscada, crueldade e motivo torpe; prisão foi convertida em preventiva e caso vai a julgamento

João Victor Rodrigues

27/02/2026 9h24

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Foto: Reprodução

A Justiça de Goiás tornou réu o síndico Cleber Rosa pelo homicídio qualificado da corretora de imóveis Daiane Alves Souza de Oliveira, crime ocorrido em Caldas Novas. A decisão é da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas, que também converteu a prisão temporária do acusado em preventiva.

Ao receber a denúncia do Ministério Público, a juíza Vaneska Baruki apontou a presença de três qualificadoras: homicídio cometido por motivo torpe, mediante emboscada e com emprego de meio cruel — circunstâncias que, se confirmadas ao fim do processo, podem elevar significativamente a pena. Para a magistrada, o conjunto probatório reunido até o momento é consistente e revela uma conduta marcada por extrema brutalidade.

As investigações da Polícia Civil de Goiás indicam que o crime teve como motivação direta uma disputa no âmbito do condomínio. Daiane havia obtido decisão judicial favorável que lhe garantiu o direito de circular pelas áreas comuns e exercer sua atividade profissional no edifício, contrariando interesses da administração condominial chefiada pelo síndico.

O assassinato ocorreu em 17 de dezembro de 2025. Naquela noite, a corretora desceu ao subsolo do prédio para verificar a interrupção no fornecimento de energia elétrica em um dos imóveis da família. Cerca de 40 dias depois, Cleber Rosa foi preso e confessou o crime. Segundo a polícia, o homicídio foi premeditado e executado por meio de uma emboscada.

Laudos da Polícia Científica apontam que a vítima foi atingida por dois disparos de arma de fogo, efetuados com uma pistola calibre .380 semiautomática. Um dos projéteis ficou alojado na cabeça e o outro transfixou a região do olho esquerdo. Os tiros atingiram a área da mandíbula. Imagens gravadas pela própria vítima mostram o momento em que ela chega ao subsolo e é surpreendida por uma agressão na cabeça, pouco antes de ser morta.

Natural de Uberlândia, Daiane morava havia cerca de dois anos em Caldas Novas, onde administrava locações de apartamentos da família. Pouco antes do crime, ela havia comunicado a uma amiga que desceria para verificar o problema elétrico e chegou a enviar um vídeo gravado no elevador. O material foi recuperado pela polícia e integra o inquérito.

A apuração também revelou um histórico prolongado de conflitos entre a vítima e o síndico. O primeiro boletim de ocorrência registrado por Daiane data de 29 de dezembro de 2024, quando ela relatou ameaças. Desde então, foram formalizadas diversas denúncias envolvendo perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação e injúria.

O último registro foi feito em 16 de dezembro de 2025, um dia antes do crime, quando a corretora informou que três dos sete apartamentos de sua propriedade estavam com o fornecimento de energia cortado ou desligado no padrão. Antes disso, Daiane havia acionado o Judiciário contra a administração do Golden Thermas Residence – Bloco Amethyst Tower, alegando abuso e tentativa de impedir o exercício de sua profissão.

A Justiça reconheceu o direito da corretora de circular livremente pelo condomínio, utilizar as áreas comuns e atuar profissionalmente no local. A decisão transitou em julgado em 10 de dezembro de 2025 — apenas sete dias antes do assassinato.

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