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Prisão no MS tinha ‘mercado’ com cerveja a R$15 e fuga a R$200 mil

A cidade de Ponta Porã é uma das mais violentas do país. Na região há uma forte presença de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC)

Redação Jornal de Brasília

07/04/2022 13h37

Foto: Reprodução

Na Unidade Penal Ricardo Brandão, em Ponta Porã (MS), uma lata de cerveja era vendida aos presos por R$15, uma fuga poderia chegar a R$200 mil e um “upgrade” para uma cela mais confortável (com frigobar, ventilador e móveis com prateleiras) ficava por volta de R$6 mil. Além disso, uma ida a um pavilhão com regras menos rígidas poderia custar ao interessado R$2 mil.

A cidade, que faz fronteira com o Paraguai, é uma das mais violentas do país. Na região há uma forte presença de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

O comércio ilegal foi descoberto em junho do ano passado, quando 1.930 latinhas de cerveja, 120 long necks, 13 litros de cachaça, três garrafas de vinho e uma de uísque foram apreendidos na unidade. As informações são do colunista da UOL Josmar Jozino.

Além das bebidas alcóolicas foram encontrados telefones celulares, carregadores, um tablet, uma faca, barras de ferro, perfumes, uma caixa de som e uma carteira com R$970, R$5 mil e 5 mil guaranis (moeda paraguaia).

Apenas dois dias depois das apreensões, foram registradas as fugas dos detentos Celso Gonçalves Sanguina e Nédio Marques Brito Filho. De acordo com as investigações do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracoo) do Mato Grosso do Sul, os homens saíram pela porta da frente.

A Dracoo prendeu, em janeiro deste ano, cinco funcionários foram presos e, posteriormente denunciados à Justiça pelos crimes de associação à organização criminosa, concussão (quando um funcionário público age com intuito de obter vantagem indevida para si ou terceiros) e corrupção passiva.

Os agentes suspeitos são um diretor do presídio, um chefe de disciplina, um chefe de segurança e dois chefes de equipe. Todos os envolvidos foram encaminhados ao Centro de Triagem de Campo Grande, onde a prisão preventiva foi decretada. A Justiça acatou a denúncia e marcou a oitiva de 26 testemunhas de acusação dos réus para o próximo dia 5.

Alguns presos também foram escutados em inquérito policial e confirmaram que cada latinha de cerveja custava R$15. De acordo com relatos, alguns agentes preferiam receber o pagamento em dinheiro e outros concordavam em receber via PIX.

Um prisioneiro, em depoimento, revelou que pagou R$7 mil para ser transferido a um pavilhão conhecido como “Mangueirão”. Nesse setor, os detentos permanecem fora da cela durante o horário de almoço e até às 20h, apesar do expediente administrativo ser encerrado às 16h30. As apurações do Dracco indicam que nos demais pavilhões os presidiários são trancados durante o horário do almoço, ou seja, das 11h às 13h, e depois recolhidos às 17h.

Por conta disso, muitos pagavam pela transferência para o “Mangueirão”.

Um outro prisioneiro contou, também em depoimento, que pagou R$4 mil para ser removido para o “Mangueirão”, sendo R$3 mil em dinheiro e o restante pago trinta dias depois. Segundo o Dracco, os preços não eram fixos, e que o valor era cobrado circunstancialmente, dependendo do agente penal.

Para ser removido do pavilhão “Castelinho”, onde as instalações são precárias, um preso teve que pagar R$10 mil. Conforme ele, um agente exigiu mais R$10 mil depois e, como não tinha dinheiro, os amigos pagaram o restante.

Ainda segundo os presidiários ouvidos, a fuga de Celso e de Nédio custou, à época US$30 mil ou R$200 mil.

Na edição de 31 de março do portal de notícias Campo Grande News, a repórter Aline dos Santos publicou um trecho do depoimento de um detento, onde cita o valor da fuga.

Ponta Porã é gêmea da cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com o Paraguai. A região é considerada de suma importância para a rota de tráfico de drogas.

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