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Policiais civis de SP são investigados após escolta de carga com cocaína em caminhão de soja

Agentes da Dise de Franco da Rocha teriam descumprido protocolos ao transportar veículo apreendido por quase 800 quilômetros

João Victor Rodrigues

28/05/2026 6h46

Foto: Polícia Civil

Policiais civis lotados na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, passaram a ser investigados sob suspeita de irregularidades durante a apreensão de uma carga milionária de cocaína encontrada em um caminhão carregado com soja no interior paulista. O caso ocorreu no último dia 22, na cidade de Rosana, localizada a cerca de 800 quilômetros da área de atuação da unidade policial.

Segundo informações da investigação, os agentes abordaram o caminhão utilizando um mandado de busca já vencido. Mesmo sem realizar vistoria imediata na carga, os policiais prenderam o motorista, colocaram-no em uma viatura e assumiram a condução da carreta. O veículo passou então a ser escoltado por equipes da própria Dise rumo à região metropolitana de São Paulo, situação que despertou suspeitas de policiais militares rodoviários e posteriormente da Polícia Federal.

Durante as abordagens realizadas pela PM e pela PF, os policiais civis alegaram que pretendiam levar a carga até Franco da Rocha para uma inspeção detalhada, sob suspeita de haver drogas escondidas entre os grãos de soja. O procedimento, no entanto, contrariaria normas internas da Polícia Civil paulista estabelecidas em portaria da Delegacia Geral de Polícia de 2023. A regulamentação prevê que, em situações de flagrante ou fundada suspeita, o veículo deve ser imediatamente apresentado à delegacia mais próxima para perícia e vistoria.

A condução do caminhão por centenas de quilômetros sem inspeção prévia aumentou a desconfiança das forças de segurança sobre a atuação dos agentes envolvidos. Após a vistoria definitiva da carga, foram encontrados 450 tijolos de pasta base de cocaína escondidos no caminhão. A droga, considerada de alta pureza, possui valor estimado em cerca de R$ 10 mil por quilo. As circunstâncias da ocorrência e a conduta dos policiais civis seguem sob investigação.

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