Autoridades de São Paulo deflagraram nesta quinta-feira (14) uma grande operação contra um esquema de fraude tributária que teria causado prejuízo estimado em R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos. Batizada de Operação Refugo, a ação investiga grupos suspeitos de utilizar empresas de fachada para gerar créditos fiscais falsos no setor de plásticos e reciclagem.
Segundo as apurações, os investigados operavam um sistema de emissão de notas fiscais frias envolvendo importadores, indústrias de resina plástica, intermediários e recicladoras. O objetivo seria reduzir ilegalmente o pagamento de tributos federais e estaduais, como ICMS e Imposto de Renda. As autoridades afirmam que os recursos obtidos com o esquema eram movimentados em uma cadeia financeira criada para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro.
As investigações também apontam que os valores desviados financiavam gastos de alto padrão dos envolvidos, incluindo aquisição de imóveis, veículos de luxo, pacotes turísticos, clubes náuticos e estabelecimentos comerciais. A ofensiva é conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos, com participação da Secretaria da Fazenda e Planejamento, do Ministério Público de São Paulo, da Receita Federal e da Procuradoria-Geral do Estado.
Mais de 530 agentes públicos participam da operação, que cumpre 46 mandados de busca e apreensão em 14 municípios paulistas, incluindo a capital. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além das polícias Civil e Militar, prestam apoio às diligências. Os documentos e materiais apreendidos serão analisados para aprofundar as investigações e responsabilizar os suspeitos nas esferas criminal e tributária.