O Departamento Estadual de Investigações Criminais deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), a Operação Ouro Branco para desmantelar uma organização criminosa especializada no furto de cargas ferroviárias no município de Aguaí, no interior paulista.
A ação é conduzida pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas e mobiliza 29 policiais civis e 10 viaturas. Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão.
De acordo com as investigações, o grupo atuava no desvio de cargas de farelo de soja e açúcar transportadas por trens com destino ao Porto de Santos. A concessionária afetada é a Ferrovia Centro-Atlântica.
Esquema dividido em quatro frentes
Segundo o Deic, a organização operava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre diferentes núcleos.
A chamada “equipe de vandalismo” era responsável por sabotar os trens, utilizando ferramentas para cortar mangueiras de ar — o que provocava a redução da velocidade das composições — além de romper lacres e abrir compartimentos para despejar a carga na linha férrea.
Na sequência, a “equipe de coleta” recolhia os produtos jogados na via, realizava o ensacamento e transportava o material para áreas de mata próximas.
Já a “equipe de intermediários” cuidava da logística, pagando valores entre R$ 10 e R$ 15 por coletor, além de transportar e armazenar a carga em residências e sítios utilizados como pontos de ocultação.
Por fim, a “equipe de receptores” ficava encarregada de dar aparência legal ao produto. O açúcar, por exemplo, era limpo, reembalado em sacarias novas e comercializado com notas fiscais fraudulentas para reinserção no mercado.
Prejuízo milionário
As investigações apontam que o esquema causava prejuízos milionários anuais, com a carga furtada sendo armazenada em galpões e posteriormente revendida.
A Polícia Civil segue com as diligências para identificar outros envolvidos e aprofundar o rastreamento da cadeia de distribuição dos produtos desviados.