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Operação contra lavagem de dinheiro do PCC apreende apenas 10 de 257 carros de luxo bloqueados

Investigação da Polícia Civil de SP também sequestrou imóveis, embarcações e bloqueou bilhões em contas

João Victor Rodrigues

16/01/2026 8h38

Foto: Reprodução/Polícia Civil

Dos 257 carros de luxo bloqueados durante uma operação da Polícia Civil de São Paulo que investiga lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), apenas dez foram efetivamente apreendidos. Entre os veículos recolhidos estão cinco Porsches e um Audi RS6. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não informou os motivos pelos quais os demais automóveis deixaram de ser apreendidos.

Em nota, a SSP informou que a primeira fase da Operação Falso Mercúrio foi concluída com a decretação de sete prisões preventivas. Dois investigados estão presos, enquanto outros cinco seguem foragidos. “O inquérito prossegue sob sigilo para a localização dos demais suspeitos e o esclarecimento dos fatos”, informou a pasta.

A operação foi deflagrada em dezembro do ano passado e também resultou no bloqueio de cerca de R$ 6 bilhões em contas bancárias. A pedido dos investigadores, a Justiça determinou ainda o sequestro de 49 imóveis e três embarcações, avaliados em quase R$ 20 milhões. Ao todo, ao menos 20 pessoas físicas e 37 pessoas jurídicas tiveram as contas bloqueadas.

A ação mobilizou cerca de cem policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que cumpriram 48 mandados de busca e apreensão na capital e na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo as investigações, o grupo atuava como uma estrutura especializada em lavagem de dinheiro para o PCC. Apesar de operar em favor da facção, funcionava como uma empresa independente, sem vínculo formal com organizações criminosas.

O esquema consistia em receber valores obtidos por meio de crimes e redistribuí-los para 49 empresas de diferentes ramos, como padarias, lojas de veículos e fintechs, com o objetivo de dar aparência de legalidade às transações. A polícia identificou três núcleos principais de atuação: coletores, responsáveis por arrecadar o dinheiro ilícito; intermediários, encarregados de movimentar e ocultar os recursos; e beneficiários finais, que recebiam os valores já “legitimados”.

O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, afirmou que duas das empresas investigadas transferiram recursos para Matheus Augusto de Castro Mota e Kauê do Amaral Coelho. Kauê, conhecido como “olheiro do PCC”, é suspeito de envolvimento na execução do empresário Antônio Vinicius Gritzbach, morto no hangar de um aeroporto em São Paulo. Segundo a polícia, ele teria alertado os atiradores sobre a chegada da vítima, enquanto Matheus teria auxiliado na fuga após o crime.

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