CARLOS VILLELA
FOLHAPRESS
A mulher encontrada amordaçada e acorrentada a uma cama em Águas Lindas de Goiás (GO) na sexta-feira (21) relatou, em vídeo publicado nas redes sociais, a rotina de abusos que afirma ter enfrentado durante o período em que ficou em cativeiro.
Emiliane Tamara Nunes Carvalho, 24, disse que um pano com ácido teria sido colocado em sua boca e mostrou, em vídeo, os lábios com a pele descascada. “Do jeito que está minha boca, eu estou toda queimada por dentro porque ele enfiava panos com ácido dentro de mim”, disse.
O ex-companheiro dela, Aílton Rodrigues, foi preso em flagrante na sexta-feira, suspeito dos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo. A prisão foi convertida em preventiva no sábado (22).
Procurada por telefone e mensagem durante a manhã, a defesa de Aílton não havia respondido até a publicação deste texto. Em nota enviada no domingo (23), o advogado Ilvan Barbosa afirmou que é prematuro tirar conclusões sobre as suspeitas e a prisão enquanto as investigações estão em andamento.
“A defesa esclarece que qualquer conversa ou suposta declaração atribuída ao custodiado, quando obtida fora das formalidades e garantias previstas em lei, não pode ser considerada válida”, diz o texto.
No vídeo, divulgado na noite de domingo, Emiliane fala que está com feridas na boca e dificuldade de engolir após o suposto contato com a substância. Ela também diz que teve ferimentos nos olhos.
“Tenho milhões de mensagens e não estou conseguindo responder a ninguém, os meus dois olhos ainda estão muito prejudicados”, afirmou.
Emiliane disse que foi obrigada a ingerir medicamentos calmantes e permanecia quase todo tempo amarrada. Segundo ela, suas mãos eram desamarradas uma vez por dia para comer.
Ela também afirmou que temia não conseguir sair do local porque Aílton dizia ter estoque de comida suficiente para passar anos no imóvel. A polícia encontrou alimentos, água e outros mantimentos no local.
Ela está se recuperando em casa após receber alta hospitalar no fim de semana e disse que esconde os ferimentos dos filhos pequenos para não expô-los à situação. “Meu filho mesmo pergunta: ‘Mamãe, por que seu braço está roxo? Mamãe, por que sua mão está inchada?’. E eu tento inventar uma desculpa, dar uma enrolada”, disse.
A jovem estava desaparecida desde segunda-feira (17) e foi encontrada pela Polícia Militar. Segundo a corporação, os agentes arrombaram a porta do imóvel, que era coberto por tapumes, e encontraram a vítima amarrada pelas pernas, braços e pescoço e com uma máscara para abafar os gritos.
Ela disse que teria sido dopada dentro da empresa distribuidora de Aílton, após uma conversa com o ex-companheiro sobre a guarda dos filhos, e levada para o imóvel onde ficou presa. Os dois estavam separados desde dezembro, após seis anos de relacionamento.
No local foram encontrados materiais como algemas, fita adesiva, cordas, remédios e um cadeado. Uma pistola que teria sido usada na ação também foi apreendida.
Familiares de Emiliane procuraram a polícia para relatar o desaparecimento ainda no dia 17. Durante as buscas, os policiais verificaram que Aílton também estava desaparecido desde a mesma data. A empresa dele estava fechada, assim como a casa onde morava, e seu carro estava no local.
A Polícia Civil informou que Aílton teria confessado, após ser abordado, que dopou a vítima com o medicamento clonazepam e a levou ao local onde ela ficou por cinco dias. A suspeita é de que ele tenha alugado o imóvel para usar como cativeiro.
Aílton foi considerado suspeito após a Polícia Militar identificá-lo durante uma abordagem. Segundo a corporação, ele desrespeitou uma ordem inicial de parada antes de ser abordado pelos policiais. Durante a abordagem, segundo a PM, Aílton teria confessado o crime.
Emiliane afirmou às autoridades que já havia sido agredida pelo ex-companheiro, inclusive durante a gravidez, e que um pedido de medida protetiva contra ele havia sido negado.
Mulher encontrada acorrentada em Goiás diz ter sofrido queimaduras com ácido na boca
Vítima afirma que foi obrigada a ingerir medicamentos calmantes e permanecia quase todo tempo amarrada
Foto: Reprodução