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Mulher é resgatada após quase 50 anos em situação análoga à escravidão no interior de São Paulo

Trabalhadora doméstica começou a atuar aos 12 anos, foi retirada da escola e vivia sob isolamento social, apontam autoridades

João Victor Rodrigues

15/06/2026 11h37

Foto: Banco de Imagens

Uma mulher de 62 anos foi resgatada em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, após viver por quase cinco décadas em condições análogas à escravidão. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a vítima prestava serviços domésticos para a mesma família desde os 12 anos de idade. A operação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e teve início após denúncias registradas no Sistema Ipê.

De acordo com a fiscalização, a mulher foi afastada da escola ainda na infância e permaneceu analfabeta ao longo da vida. Desde 1977, ela realizava atividades diárias sem direito a férias, folgas regulares ou períodos adequados de descanso. Embora tenha tido a carteira de trabalho assinada em determinado momento, os auditores constataram que ela não tinha autonomia sobre os valores recebidos.

As investigações apontaram que, mesmo após se aposentar em 2015, a trabalhadora continuou exercendo funções na residência sem qualquer remuneração. Nos últimos anos, passou a cuidar integralmente da empregadora, que se encontrava acamada. Segundo os auditores-fiscais, mecanismos de coerção psicológica reforçavam o isolamento da vítima, que acreditava que a patroa poderia morrer caso fosse deixada sozinha.

A fiscalização também identificou restrições ao convívio familiar e social da mulher, cujas visitas a parentes eram raras, breves e acompanhadas pela empregadora. Após o resgate, a Inspeção do Trabalho determinou o afastamento da vítima e calculou uma rescisão trabalhista de aproximadamente R$ 1,7 milhão, incluindo verbas salariais, férias, 13º salário e indenização por danos morais.

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