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‘Mataram o meu filho pela terceira vez’, diz Leniel Borel

Para Lionel, decisões como essa abrem precedentes para que outras mães possam matar seus filhos ou permitir que eles sejam mortos

Redação Jornal de Brasília

04/06/2026 6h19

lionel

Foto: Brunno Dantas/TJRJ

CRISTINA CAMARGO E ALÉXIA SOUSA
SÃO PAULO, SP, RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

O perdão judicial concedido à professora Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, assassinado aos 4 anos, revoltou o pai da criança, Leniel Borel, no final do julgamento do caso.

“Mataram o meu filho pela terceira vez”, ele disse na madrugada desta quinta-feira (4). “O Henry representa as milhares de crianças que são vítimas todos os dias”.

O ex-vereador criticou duramente afirmação da juíza Elizabeth Machado Louro, titular do 2º Tribunal do Júri do Rio, sobre agressões sofridas por Monique no cárcere e o “massacre nas redes sociais”. Para a magistrada, a mãe do menino foi alvo de uma perseguição implacável contra a sua honra.

Ao aplicar o perdão judicial, Louro disse que Monique já sofreu um castigo severo o suficiente e criticou a reação desproporcional da sociedade, chamando-a de discriminatória e fruto de uma cultura que exige que a mulher seja uma “mãe perfeita”.

Para Lionel, decisões como essa abrem precedentes para que outras mães possam matar seus filhos ou permitir que eles sejam mortos.

“Como é que vou falar para a minha mãe que foi a misoginia que matou o Henry?”, questionou sobre a avó da criança.

Ele disse que Monique tinha o dever de proteger o filho e citou as críticas que recebeu durante os 11 dias de julgamento.

“Posso ter sido a pior pessoa do mundo, mas eu não estava dentro daquele apartamento”, disse. “Esse julgamento é a resposta da nossa sociedade para pessoas que estão violentando seus filhos. Outros Henrys, outras Isabellas Nardonis, outros Bernardos Boldrinis aparecerão”.

Para o pai da criança, o tribunal deu uma resposta que permite que mães possam matar ou agredir crianças.

O advogado de Leniel vai apresentar recurso para anular o julgamento e condenar Monique por homicídio.

Monique foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho e recebeu pena de um ano e quatro meses de prisão, já considerada cumprida. Em relação à acusação de homicídio, os jurados afastaram a acusação de crime doloso e reclassificaram o caso para homicídio culposo —quando não há a intenção de matar.

Nessa situação, cabe à presidente do júri decidir sobre a responsabilização da ré. A juíza concedeu perdão judicial e extinguiu a punibilidade de Monique por esse crime.

A mãe de Henry deixará a prisão após a sentença e comemorou a decisão no tribunal.

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