Menu
Na Hora H!

Justiça condena comerciante por maus-tratos a 26 cães em SP

Animais eram mantidos em condições extremas de crueldade; 12 morreram após resgate, e réu recebeu pena de 5 anos e 3 meses

João Victor Rodrigues

03/02/2026 7h25

Foto: RECARDO DAVIDSON/@shotbyriki/Unsplash

A Justiça de São Paulo condenou o comerciante Guozhen Zeng por maus-tratos contra 26 cães mantidos em duas lojas na Rua 24 de Maio, no Centro da capital paulista. Adultos e filhotes eram submetidos a agressões físicas, privação de água e alimento, falta absoluta de higiene e ambientes sem ventilação ou luz solar. Doze animais morreram após o resgate realizado em agosto de 2024. A decisão ainda cabe recurso.

Segundo a sentença da 27ª Vara Criminal da Barra Funda, a polícia chegou aos estabelecimentos após denúncia anônima. Com autorização do próprio comerciante, os agentes ingressaram nos imóveis e relataram odor intenso de urina e fezes logo na entrada.

Em um dos endereços, os cães estavam confinados em um subsolo escuro, sujo e sem acesso a água potável ou alimentação adequada. No outro, os animais foram encontrados em um espaço semelhante a um banheiro e em áreas nos fundos da loja, igualmente insalubres.

Guozhen Zeng foi preso em flagrante à época da operação; a prisão chegou a ser convertida em preventiva, mas ele respondeu ao processo em liberdade. Na decisão, o juiz rejeitou a tese da defesa que alegava desconhecimento da ilicitude por “diferenças culturais”, destacando que a crueldade praticada era evidente e incompatível com qualquer justificativa.

Laudos periciais, relatórios técnicos e exames veterinários comprovaram que todos os animais avaliados estavam doentes. Muitos apresentavam cinomose — doença viral altamente contagiosa e potencialmente fatal — além de quadros de desnutrição severa, desidratação, infecções generalizadas e lesões antigas sem qualquer atendimento prévio.

Um dos relatórios descreve uma fêmea com múltiplas lesões corporais e perfurações compatíveis com mordidas; ela morreu poucos dias após o resgate em decorrência de infecção generalizada. Filhotes também não resistiram, em razão do estado de saúde debilitado.

Depoimentos de ex-funcionárias apontaram agressões frequentes, como chutes e golpes com pedaços de madeira, além da ausência de alimentação regular e da negativa sistemática de atendimento veterinário. Uma delas relatou ainda a prática de inseminações caseiras e cortes de orelhas nos cães.

As investigações indicaram que os animais eram usados para reprodução e venda de filhotes, principalmente da raça american bully, com preços que chegavam a R$ 5 mil. Com base no conjunto probatório, a Justiça considerou a ação penal procedente e condenou o réu a 5 anos e 3 meses de prisão em regime semiaberto, além de multa de R$ 1,8 mil e indenização de R$ 43,6 mil à mulher que resgatou 18 cães após a prisão do comerciante.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado