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Homem mandou enteada para escola antes de matar filhas feitas reféns em SP

Os corpos das crianças passaram por necropsia na manhã desta quarta-feira, chegaram nesta tarde à funerária onde serão velados

Por FolhaPress 25/05/2022 5h26

Maurício Businari
São Paulo, SP

O homem que manteve reféns as filhas, de 5 e 6 anos, e depois as matou na casa da família, em um bairro periférico da cidade de Taquarituba, interior de São Paulo, tinha enviado uma enteada de 12 anos, irmã das meninas, para a escola pouco antes de cometer os crimes. A polícia ainda tenta descobrir os motivos que levaram o trabalhador rural, 28, a cometer o crime.

As meninas moravam com a mãe, de 31 anos e também trabalhadora rural, em uma casa simples no bairro Santa Rita de Cássia, região periférica da cidadezinha de 23 mil habitantes. A mulher havia se separado do pai das crianças assassinadas.

Há seis meses, ele passou a manter um relacionamento com outra mulher, com quem vive na cidade vizinha de Itaí, a 22 km de distância.

Na segunda-feira (24), após trabalhar a manhã toda na lavoura, por volta das 14h30, o homem disse à atual esposa que iria até o mercado, mas não voltou. Segundo a cônjuge declarou à polícia, ele teria ligado à noite para o celular dela, pedindo que ela o fosse buscar na casa da ex-esposa, na cidade vizinha. Como ela não tinha condução, acabou não indo.

Na manhã seguinte, conseguiu pegar um ônibus em direção à casa de Janaína, para buscar o marido. Mas já era tarde. O lavrador tinha feito as filhas reféns horas antes dela chegar.

Em depoimento à polícia, a atual esposa declarou que ela e o acusado vivem juntos há 6 meses e que, nesse tempo, ele nunca bebeu ou se mostrou agressivo.

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A cônjuge relatou, porém, que desde sexta-feira (20) ele vinha apresentando um comportamento diferente. Inclusive havia bebido antes de deixar o imóvel do casal em Itaí, na segunda-feira.

“Este foi um caso que chocou toda a cidade”, disse à reportagem Carlos César da Silva, 53, conselheiro tutelar de Taquarituba que acompanhou a operação montada pela polícia para resgatar as crianças. “Essa ocorrência começou por volta das 7 horas da manhã. Vizinhos começaram a sentir cheiro de gás vindo da residência e chamaram a polícia”.

A ocorrência mobilizou viaturas e agentes da Polícia Militar, Polícia Civil, SAMU, Corpo de Bombeiros e o GATE (Grupo de Ações Táticas Especiais) de São Paulo.

Segundo o Boletim de Ocorrência ao qual a reportagem teve acesso, o acusado ameaçou explodir o imóvel com as filhas dentro. Ele dizia também que uma enteada de 12 anos estaria com ele dentro do imóvel, mas depois a polícia descobriu que ela foi liberada para ir à escola.

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“Ele disse para a ex-mulher que tinha vindo visitar as filhas”, contou o conselheiro tutelar. “Ele pediu para pernoitar na casa. Ela aceitou. No dia seguinte, ela acordou cedo e foi para o trabalho na roça, deixando as crianças com ele. Ela confiava no pai das meninas, ele nunca deu sinal de problema psiquiátrico ou coisa assim”.

A polícia manteve negociação por horas com o acusado. No final da noite, as equipes decidiram entrar no imóvel, pois ele não apresentava provas de que as reféns estariam vivas. Um scanner de presença chegou a ser utilizado, para verificar a movimentação dentro da casa. Porém, os agentes confirmaram que o único a se movimentar no interior do imóvel era o pai das meninas.

Ao entrarem no imóvel, os policiais imobilizaram o homem com um tiro de bala de borracha e uma arma de choque. Ele estava armado com uma faca. As meninas foram encontradas mortas, com cortes no pescoço. Uma delas estava na cama e a outra, no chão do quarto onde dormiam. A casa estava revirada, com cacos de vidro espalhados pelo chão.

Após passar por exames de corpo de delito, o acusado foi preso em flagrante e irá responder pelos crimes de duplo feminicídio, cárcere privado e tentativa de explosão. Ele foi salvo pela polícia de uma tentativa de linchamento por parte dos moradores da cidade. Segundo a corporação, cerca de 500 pessoas se reuniram ao redor do quarteirão isolado pelos policiais e, ao saberem do desfecho, quiseram fazer justiça com as próprias mãos.

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Alexandre Aurani, chefe dos investigadores da Delegacia Seccional de Avaré, informou à reportagem que, até o momento, o acusado não declarou os motivos que o levaram a matar as filhas.

“Ao ser preso, ele chegou a ser questionado de maneira informal, mas ficou dizendo que não se lembrava de nada. Depois se valeu do direito de permanecer em silêncio”, contou Aurani. “Ainda temos muito a ser investigado e depoimentos a serem colhidos. A mãe não pôde dar ainda seu depoimento. Hoje pela manhã a polícia fez os exames necroscópicos nos corpos das crianças”.

Segundo o chefe dos investigadores, o pai das meninas passou na tarde desta quarta (25) por uma audiência de custódia. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, o que significa que ele permanecerá detido. No momento, ele está recolhido na delegacia de Avaré. Mas deve ser levado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Cerqueira César, onde permanecerá à disposição da justiça.

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De acordo com a polícia, o lavrador não tem defesa constituída até o momento e, portanto, não pôde ter sua versão ouvida pela reportagem.

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A mãe passou mal ao saber da morte das filhas e teve que ser atendida na Santa Casa da cidade. Na noite de terça-feira fez um post emocionado despedindo-se delas no Facebook, com um vídeo contendo imagens das crianças. A prefeitura da cidade anunciou luto oficial pela morte das meninas.

Os corpos das crianças passaram por necropsia na manhã desta quarta-feira, chegaram nesta tarde à funerária onde serão velados e, de lá, seguiram para o município de Chavantes, onde ocorrerá o enterro.








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