Após quase três anos foragido, Gutemberg Peixoto Alves de Souza, de 45 anos, foi capturado neste domingo (1º/2) na cidade de Tatuí, no interior paulista. A prisão ocorreu de forma inusitada: ele pescava em um lago público quando foi abordado por agentes da Guarda Civil Municipal.
Contra Gutemberg havia um mandado de prisão em aberto pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Ele é apontado como principal suspeito de matar a própria filha, Agata Gonzaga Peixoto, desaparecida em 2021, quando tinha 17 anos, e cujos restos mortais foram localizados apenas em novembro de 2022, enterrados no quintal da residência onde morava com o pai, em Ilha Comprida.
Segundo informações da ocorrência, o suspeito foi abordado enquanto utilizava uma tarrafa para pescar no lago da Praça Mário Coscia, prática proibida por ser considerada pesca predatória. Durante a abordagem, ele apresentou um nome falso. A tentativa de enganar os agentes, no entanto, foi frustrada após a condução à delegacia, quando a consulta ao sistema revelou sua verdadeira identidade e a condição de foragido da Justiça.
Diante da confirmação, Gutemberg recebeu voz de prisão e foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Tatuí, onde permanece à disposição do Judiciário.
O caso começou a ser investigado após um tio de Agata procurar a polícia, em 26 de outubro de 2022, relatando que a adolescente estava desaparecida havia mais de um ano. À época, ele informou que a jovem vivia com o pai. Gutemberg chegou a afirmar aos familiares que a filha teria se mudado para morar com a mãe, em Itanhaém, versão posteriormente desmentida pela mulher.
Confrontado, o suspeito alterou o relato e passou a dizer que Agata teria fugido para Sorocaba com um rapaz, sem manter contato com a família ou utilizar redes sociais. As contradições levantaram suspeitas e aprofundaram as diligências.
Em 11 de novembro de 2022, a ossada da adolescente foi encontrada envolta em uma rede e um lenço, enterrada no quintal da casa onde residia com o pai. Além da ocultação do corpo, pesam contra Gutemberg relatos de que a jovem tinha medo dele, as versões inconsistentes sobre o paradeiro da filha e o desaparecimento do próprio suspeito após ser questionado por familiares.
O inquérito segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura as circunstâncias do crime e aguarda os próximos encaminhamentos judiciais.