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Criança continua internada dois meses após comer marmita envenenada na Grande SP

De acordo com o pai da criança, o vendedor de churros Flávio de Araújo, 46 anos, o garoto ainda tem problemas decorrentes da ingestão do chumbinho

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Alfredo Henrique
São Paulo, SP

O menino de 11 anos que ingeriu comida contaminada com chumbinho, agrotóxico usado para matar ratos em 21 de julho, continua internado no hospital geral de Pirajussara, em Taboão da Serra (Grande SP). A comida envenenada estava em uma marmita doada a pessoas em situação de rua em Itapevi (Grande SP), que estavam em um posto de combustíveis desativado.

Dois moradores de rua e um cachorro, pertencente a um deles, morreram no dia seguinte, após consumirem do mesmo alimento. A presença do chumbinho foi constatada por perícia. Segundo a polícia, as marmitas foram envenenadas depois de serem entregues às vítimas.

De acordo com o pai da criança, o vendedor de churros Flávio de Araújo, 46 anos, o garoto ainda tem problemas decorrentes da ingestão do chumbinho. A criança é alimentada e se hidrata por meio de uma sonda, não consegue falar nem movimentar braços e pernas, afirmou.

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“Já fizeram dois exames no meu filho mas, até agora, não sei o que aconteceu com ele. Os médicos falaram só que partes do cérebro dele se comprometeram por causa do veneno, mas sem explicar como”, disse.

Na noite de 21 de junho, o morador de rua Vagner Aparecido Gouveia de Oliveira recebeu cinco marmitas de voluntários, das quais deu três para o vendedor de churros. “Ele me deu as marmitas, pois falou que não queria que estragassem”, contou Araújo, na ocasião.

A namorada do vendedor, uma adolescente de 17 anos, também comeu uma marmita e passou mal. Ela teve alta, dias depois de ser internada, diferentemente do filho dele.

Após ser internado, o garoto permaneceu 15 dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do hospital de Taboão da Serra, ainda segundo o pai. “Meu filho foi transferido para um leito depois que recuperou a consciência”, afirmou.

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O vendedor também disse que o garoto sente dores. “Ele não para de transpirar, emite sons e apertar as duas mãos”, afirmou Araújo, acrescentando que, após o envenenamento, permanece ao lado do filho diariamente. “Deixei de trabalhar por causa disso.”

Araújo afirmou ao Agora ter sido informado que seu filho poderá ter alta do hospital nesta terça-feira (22). Ele enviou à reportagem documentos entregues supostamente por médicos da unidade, nos quais há explicação de como preparar a alimentação para a sonda do garoto, para quando ele for para casa.

Os documentos, com marca d’ água do hospital da Grande SP também explicam como devem ser os cuidados de higiene e procedimentos a serem adotados para o preparo e administração das refeições do garoto.

Em nota, a Secretaria estadual da Saúde, gestão João Doria (PSDB), negou que o garoto receberá alta nesta terça. A pasta acrescentou que, na sexta-feira passada (18), o pai da criança recebeu resultados dos exames do garoto, além de conversar com profissionais que acompanham o caso.

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“O paciente está estável e segue assistido por equipe multidisciplinar, composta por neurologia, pediatria, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e serviço social”, diz trecho de nota.

A unidade de saúde, porém, não informou os resultados dos exames da criança, nem deu detalhes sobre as sequelas decorrentes da ingestão do veneno para matar rato. Acrescentou permanecer à disposição da família da vítima “para esclarecimentos.” “Eu nem sei o que meu filho tem ainda”, afirmou o vendedor.

Araújo disse ter esperanças de que o garoto se recupere e retome a rotina anterior ao envenenamento. “Meu menino adorava correr na rua, empinar pipa e jogar futebol. Tenho fé de que ele ainda vai voltar a fazer tudo isso. Mas antes, precisamos saber o que ele tem realmente.”

Até o momento, nenhum suspeito de envenenar as marmitas havia sido identificado pela polícia, nem esclarecida a motivação para o crime esclarecida.

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O alimento foi doado por uma mulher, ligada a uma igreja evangélica, que afirmou na ocasião ter alimentado a própria família com a comida entregue às vítimas. O momento em que a comida foi deixada no posto de gasolina desativado foi registrado por uma câmera de monitoramento.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirmou que as investigações continuam, por meio de um inquérito policial. “A autoridade policial segue ouvindo testemunhas e a equipe aguarda a conclusão dos laudos periciais, que estão em andamento, para a realização de novas diligências a fim de esclarecer os fatos”, diz nota.

As informações são da FolhaPress




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