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Telescópio de Arecibo, ícone da ficção científica, despenca após 57 anos de operação

Em 19 de novembro, a NSF, responsável pelo local, havia anunciado que os danos eram irreversíveis e o telescópio seria desativado

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Foto: reprodução
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Everton Lopes Batista
São Paulo, SP

O radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, ruiu na manhã (horário local) da terça-feira (1º), informou a Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF). A estrutura, que ficou em operação por 57 anos, enfrentava problemas de sustentação desde agosto, com a queda de cabos que mantinham a plataforma de equipamentos com cerca de 900 toneladas suspensa sobre um prato refletor de 305 metros de diâmetro.

Em 19 de novembro, a NSF, responsável pelo local, havia anunciado que os danos eram irreversíveis e o telescópio seria desativado.

Cientistas do mundo todo frequentavam a instalação para realizar pesquisas astronômicas e planetárias. Entre suas atividades mais importantes estavam as pesquisas relacionadas à busca por vida extraterrestre. Arecibo era um dos principais pontos de encontro dos cientistas que integram um dos maiores projetos de busca por inteligência alienígena, o [email protected], liderado pela Universidade da Califórnia em Berkeley.

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O radiotelescópio de Arecibo era capaz de detectar as radiações eletromagnéticas vindas do espaço e monitorar corpos celestes, funcionando como um tipo de radar. O equipamento também podia ser usado como um transmissor.

Em 1974, os cientistas enviaram para o espaço uma mensagem a partir do telescópio que continha explicações básicas sobre a civilização da Terra, como uma figura humana e uma representação do Sistema Solar. O evento ficou conhecido como a mensagem de Arecibo e tinha como objetivo chamar a atenção de alguma forma de vida inteligente que possa existir na Via Láctea. Até hoje, nenhuma resposta à mensagem foi detectada.

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Grandes nomes da ciência passaram por ali, como os astrofísicos americanos Carl Sagan e Frank Drake. Mas o equipamento gigantesco é por si só um personagem relevante na história recente da ciência.

Nos anos 90, Arecibo apareceu em grandes produções de ficção científica do cinema e da televisão norte-americana. Em “007 contra GoldenEye” (1995), o telescópio esteve no centro de uma disputa pelo domínio da tecnologia terrestre. Ele também foi cenário do episódio de abertura da segunda temporada da série de TV “Arquivo X”, em 1994.

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Sua aparição mais famosa foi em “Contato” (1997), filme dirigido pelo mestre da ficção científica Robert Zameckis (responsável pela trilogia “De Volta para O Futuro”). A história é baseada no livro homônimo de Carl Sagan, publicado pela primeira vez em 1985.

“Contato” traz um enredo sobre ciência e fé de uma forma realista, mostrando os desafios da cientista Ellie Arroway (Jodie Foster) para lidar com perdas e conflitos pessoais e ao mesmo tempo conseguir os investimentos para manter sua pesquisa sobre vida extraterrestre.

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Arroway visita Arecibo para obter dados de seus estudos, e as cenas com o radiotelescópio imponente embrenhado em uma floresta tropical surpreendem o telespectador que imagina a ciência conduzida por homens em jalecos brancos em ambientes fechados e excessivamente iluminados.

O filme inspirou a física espacial Alessandra Pacini a seguir uma carreira científica. Pacini foi pesquisadora de Arecibo entre os anos de 2017 e 2019 e até o fim da operação do telescópio contava com dados obtidos nele para sua pesquisa.

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“Foi inesquecível fazer meu primeiro experimento ali, ver o telescópio posicionado para as minhas fontes de observação”, diz a cientista. “Tudo é impressionante naquele lugar. Essa é uma perda irreparável para a comunidade científica”, completa.

Segundo Pacini, que hoje é cientista na instituição de pesquisa Northwest Research Associates (NWRA), no estado americano do Colorado, alguns projetos de pesquisa como o Nanograv, que busca por ondas gravitacionais e faz observação de pulsares (estrelas com campo magnético muito intenso), dependiam principalmente de Arecibo para obter dados e podem ficar parcialmente desemparadas após o colapso da estrutura.

“Nós sabíamos que existia essa possibilidade [de queda], mas ainda assim é triste ver isso acontecer”, disse em comunicado Elizabeth Klonoff, vice-presidente de Pesquisa da Universidade Da Flórida Central (UCF), que administra temporariamente os recursos de Arecibo. “Vamos continuar trabalhando com a NSF e outros colaboradores para encontrar meios de apoiar a missão científica de Arecibo”, afirmou.

asa informações são da Folhapress

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