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Rússia testa míssil hipersônico em meio a impasse nuclear com EUA

Tsirkon foi disparado pela primeira vez contra um alvo no mar; míssil atinge até Mach 9 (nove vezes a velocidade do som, ou 11 mil km/h)

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em

Foto: Reuters
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Igor Gielow
São Paulo, SP

Em meio a um impasse com os Estados Unidos sobre a renovação do último acordo nuclear em vigor no mundo, a Rússia enviou uma mensagem ao testar um de seus novos mísseis hipersônicos.

O Ministério da Defesa anunciou nesta quarta (7) ter disparado o Tsirkon pela primeira vez contra um alvo no mar, no segundo teste desse míssil que atinge até Mach 9 (nove vezes a velocidade do som, ou 11 mil km/h).

O alvo, a 450 km, foi destruído após pouco mais de quatro minutos de voo. O lançamento foi da fragata Almirante Gorchkov, no mar Branco (Ártico).

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Ele aconteceu na terça, mas os militares só o divulgaram na quarta para coincidir com o 68º aniversário do presidente Vladimir Putin -e também para ter certeza de que o teste deu certo e não estragar a festa do chefe.

Mas o que importa do “timing” é outra coisa. Na segunda-feira (5), russos e americanos tiveram mais uma rodada de conversas acerca da renovação do Novo Start (sigla inglesa para Tratado de Redução de Armas Estratégicas), em Helsinki (Finlândia).

O encontro, precedido por uma reunião em Genebra na sexta (2), foi cercado de mistério. O Novo Start, de 2010, é o último tratado do tipo entre as duas superpotências nucleares, donas de 90% do arsenal atômico da Terra.

Ele expira no dia 5 de fevereiro, e a intransigência de Washington parecia tê-lo destinado à lixeira, assim como dois outros acordos que o governo Donald Trump abandonou desde 2017.

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Primeiro, os americanos insistiram em que os chineses, terceiros no ranking das potências mas bastante atrás dos colegas maiores (320 ogivas operacionais, cinco vezes menos que os outros), fossem parte da negociação.

Nem Moscou, nem Pequim, toparam. Na penúltima rodada de conversas, os EUA então cederam nesse ponto, mas pediram para que todo o arsenal de mísseis capazes de entregar uma bomba atômica no alvo fosse incluído.

Os russos protestaram, pois os mísseis de alcance intermediário eram justamente o objeto de um dos acordos que os americanos haviam deixado.

O Novo Start diz respeito apenas à chamadas ogivas estratégicas, que são levadas por mísseis intercontinentais ou jogadas por bombardeiros com o intuito de provocar grande destruição e mudar o rumo de conflitos.

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Mísseis menores, com ogivas chamadas táticas, visam alterar realidades pontuais em campos de batalha com armas de menor potência. Pelo Novo Start, Rússia e EUA têm de ter no máximo 1.550 ogivas estratégicas.

Ambos os países respeitam aproximadamente o limite. Os americanos têm estimadas 150 bombas táticas também, e os russos, um número incerto.

Na própria segunda, o chanceler russo, Serguei Lavrov, previu que o Novo Start iria “morrer” por obra americana.

Mas após o encontro entre seu adjunto Serguei Riabkov e o negociador americano William Billingslea, a Casa Branca vazou ao Wall Street Journal uma informação de que ambos os países chegariam a um acordo para fazer um novo tratado no ano que vem. O próprio enviado de Washingtou postou no Twitter que “houve avanços”, sem dar detalhes.

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Ninguém confirmou essa informações. Segundo a Folha ouviu de um membro da comunidade de inteligência russa, a impressão é a de que os EUA queriam forçar uma boa notícia em meio às dificuldades de Trump em sua tentativa de reeleição.

Se foi isso ou se algo positivo ocorreu, ainda é incerto, mas é aí que entra o Tsirkon.

O míssil é um dos que entraria no inventário de armas controladas sob o Novo Start, por suas características. Apesar de seu alcance não ser intercontinental, de estimados 1.000 km apenas, ele foi desenhado para ser lançado do mar -e isso inclui submarinos que podem ficar ao largo da costa americana sem serem detectados.

Ele faz parte do pacote de “armas invencíveis” lançado por Putin em 2018, que incluía outros modelos hipersônicos que já estão operacionais (Kinjal e Avangard), um novo míssil intercontinental pesado e até um “torpedo do juízo final”, que pode ser testado ainda neste ano.

Em ensaios desde 2012, o Tsirkon (zircão, em russo) tem capacidade de manobrar antes de atingir o alvo.

Em fevereiro do ano passado, Putin afirmou que iria equipar sua frota de submarinos de mísseis balísticos com a arma caso as negociações para controle do arsenal nuclear fracassassem. Daí o recado desta quarta: tal armamento existe e funciona.

Chamou a atenção, à época, um programa especial da TV russa sobre o Tsirkon, elencando alvos que ele poderia atingir em cerca de 5 minutos, de forma indefensável, se lançado de submarinos próximos aos EUA: o Pentágono e a residência presidencial de Camp David estavam na lista.

O míssil já havia sido lançado contra um alvo em terra, da mesma fragata, em janeiro deste ano. O Tsirkon leva uma carga incerta, mas foi desenhado para transportar armas nucleares.

A tensão atômica entre os dois países é a maior desde o fim da Guerra Fria.

Além de ter deixado acordos, Trump mudou sua doutrina nuclear e introduziu uma nova bomba de menor potência na sua frota de submarinos, o que sugere maior possibilidade de emprego, levando os russos a ameaçar uma retaliação nuclear se qualquer míssil for disparado contra si ou aliados.

As informações são da FolhaPress




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