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Reino Unido aumenta pressão sobre China e suspende tratado com Hong Kong

Outros países estudam fazer o mesmo, elevando a pressão internacional sobre a China

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Igor Gielow
São Paulo, SP

Em mais um lance da disputa entre Ocidente e China, o Reino Unido anunciou que vai suspender o tratado de extradição que mantém com sua ex-colônia Hong Kong.

Com isso, Londres segue os EUA, Austrália e Canadá, que também tomaram a mesma medida como forma de evitar que pessoas extraditadas para o território semiautônomo acabem no sistema judicial da ditadura comunista.

O temor existe devido ao artigo 55 da nova lei de segurança nacional de Hong Kong, que entrou em vigor no fim do mês passado. O texto deu amplos poderes a Pequim para procurar, prender e processar pessoas em Hong Kong sob acusação de secessão, terrorismo ou conluio com potências estrangeiras.

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Até aqui, 20 países tinham acordos de extradição específicos com Hong Kong, baseados no fato de que o Judiciário local era independente e autônomo em relação ao da China continental, algo previsto para durar até 2047 no Tratado Sino-Britânico de 1984 -que pavimentou a devolução da então colônia a Pequim em 1997.

“Nós não vamos considerar reativar esses arranjos até haver salvaguardas claras e robustas que evitem o o mau uso da extradição do Reino Unido sob a nova legislação de segurança nacional”, disse no Parlamento o chanceler Dominic Raab.

Outros países estudam fazer o mesmo, elevando a pressão internacional sobre a China.

Ela vem sendo liderada por Washington e Londres. Na semana passada, os EUA fizeram duras críticas às pretensões territoriais chinesas sobre 85% do mar do Sul da China e apresentaram um pacote de sanções e medidas retaliatórias devido à nova lei de Hong Kong.

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Já os britânicos, numa vitória do lobby do presidente Donald Trump, determinaram o expurgo da gigante chinesa Huawei do fornecimento de infraestrutura da tecnologia 5G, da qual é líder mundial, no país. Londres ainda prepara a oferta de cidadania a cerca de 3 milhões dos 7,5 milhões de honcongueses.

Pequim critica duramente tais movimentos, considerando-os apenas politicamente motivados. Trump lidera uma versão 2.0 da Guerra Fria com o governo de Xi Jinping desde 2017, por razões comerciais e geopolíticas. Até o forma com que os governos lidam com a pandemia da Covid-19 e os atos antirracistas nos EUA viraram motivo de debate.

Os chineses afirma que Hong Kong, que vive sob forte estresse político desde que protestos pró-democracia tomaram as suas ruas no meio de 2019, é um assunto interno.

Pequim quer manter o status econômico, capitalista segundo o acordo com os britânicos, porque usa Hong Kong como entreposto de entrada e saída de investimentos. Mas a lei mostrou que decididamente Xi não vai mais tolerar dissenso político, com efeitos ainda desconhecidos sobre o status comercial da região.

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Nesta segunda (20), o ativista honconguês Joshua Wong anunciou que vai tentar concorrer ao Conselho Legislativo, o Parlamento local, na eleição marcada para setembro. O ato é um desafio a Pequim, que já havia barrado o jovem de 23 anos de participar das eleições locais do ano passado.

Segundo ativistas, o ressurgimento da Covid-19 no território poderá ser usado pelo governo para tentar adiar ou cancelar o pleito.

EUA IMPÕEM SANÇÕES A ALIADO DE PUTIN E FAZEM MANOBRAS COM A UCRÂNIA NO MAR NEGRO

Em outro movimento de dureza externa, que tem caracterizado a gestão Trump desde que o presidente ficou para trás de Joe Biden nas pesquisas para a eleição de novembro, os EUA anunciaram sanções a um dos mais próximos aliados do russo Vladimir Putin.

O presidente da Tchetchênia, Ramzan Kadirov, está proibido de viajar aos EUA sob acusação de abusos contra os direitos humanos na pandemia.

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“O Departamento de Estado tem informações críveis de que Kadirov é responsável por diversas violações graves de direitos humanos há mais de uma década, incluindo tortura e assassinatos extrajudiciais”, afirmou o secretário Mike Pompeo.

Washington já havia aplicado um banimento a Kadirov antes, devido a seu suposto envolvimento na morte de um dissidente russo, Serguei Magnitski.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ironizou a medida. “Pompeo, nós aceitamos a briga. Isso vai ficar interessante. Será difícil de reagir de igual para igual, mas vamos pensar em algo”, afirmou.

Em outro movimento, os EUA começaram também nesta segunda (20) manobras no mar Negro com a Marinha da Ucrânia. A ação ocorre depois que a Rússia anunciou, na sexta-feira, uma das maiores mobilizações surpresa de sua historia recente, com 150 mil militares no seu flanco sudoeste.

O motivo principal do exercício russo foi o de demonstrar preparo para agir caso a crise no Cáucaso, entre sua aliada Armênia e o Azerbaijão, escale.

A intimidação parece ter dado certo, já que no fim de semana não houve incidentes sérios entre os países, que disputam desde o fim da União Soviética a região de Nagorno-Kabarakh. Quase 20 pessoas morreram em combates na semana passada.

Só que a Ucrânia, que perdeu a Crimeia para a Rússia em 2014 e vive uma guerra civil congelada com separatistas pró-Kremlin no seu leste desde então, leu a mobilização com uma ameaça a seus interesses também. Em setembro, deverá fazer jogos de guerra mais amplos com países da Otan, para fazer frente a um grande exercício russo no Cáucaso.

As informações são da FolhaPress




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