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PIB despenca, mas socorro estatal evita que famílias caiam no abismo, diz OCDE

Enquanto na média o PIB per capita dos países da OCDE caiu 2% no primeiro trimestre deste ano, houve alta de 0,1% na renda per capita das famílias

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Ana Estela de Sousa Pinto
Bruxelas, Bélgica

O PIB despencou, mas o bem-estar das famílias foi salvo do abismo nos países desenvolvidos, mostram números divulgados nesta quinta (6) pela OCDE (organização que reúne 35 países, dentre os mais ricos).

Na queda econômica desencadeada pela pandemia de coronavírus, a rede de proteção foram esquemas para prevenir desemprego e mitigar perda de renda, que beneficiaram 40 milhões de trabalhadores na União Europeia (equivalente a 18% a população empregada).

Enquanto na média o PIB per capita dos países da OCDE caiu 2% no primeiro trimestre deste ano, houve alta de 0,1% na renda per capita das famílias, índice considerado mais indicado para avaliar o bem-estar.

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A renda se manteve apesar de uma redução no emprego no mesmo período, segundo os dados da organização: no primeiro trimestre do ano, a parcela da população em idade ativa com trabalho caiu para 68,6% no primeiro trimestre de 2020, ante 68,9% no trimestre anterior, primeira redução desde o início de 2013.

A rede de proteção levou à maior diferença entre PIB e renda da família per capita desde o quarto trimestre de 2008, após a crise financeira global. Na época, parte dos governos (com forte atuação da Alemanha) também adotou programas de apoio aos trabalhadores.

Em todas as sete principais economias do bloco, a renda real per capita das famílias sofreu menos que o PIB real per capita no primeiro trimestre deste ano. Houve queda nas grandes economias europeias, mas a retração da renda das famílias foi menor que a do PIB per capita, com a diferença chegando a 5,7 pontos percentuais na França.

Itália e Alemanha foram os países em que o bem-estar foi mais afetado no trimestre, com queda de 1,8% e 1,2%, respectivamente, na renda das famílias. Ainda assim, houve uma diferença de 3,5 e 0,9 pontos percentuais em relação à contração do PIB per capita.

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Em outros oito países da OCDE, a renda registrou alta no trimestre: Austrália (0,5%), Bélgica (0,7%), Finlândia (1,2%), Grécia (0,8%), Irlanda (0,7%), Holanda (1,6%), Eslovênia (1,5%) e Suécia (1,3%).

Os números não refletem ainda todo o impacto da pandemia, que teve seu momento de maior gravidade na Europa em abril e começou mais tarde nos Estados Unidos e no Canadá.

Dados da União Europeia mostram que o desemprego continuou aumentando na região, atingindo 6,7% em maio, nível mais alto em oito meses, mas ao menos 1 ponto percentual abaixo do previsto por analistas.

Indicadores de recuperação do consumo divulgados pelo bloco nesta semana foram vistos como um sinal de que as famílias europeias podem estar deixando para trás a fase mais crítica da crise do coronavírus, embora haja motivo para cautela, já que os esquemas de socorro estatais devem terminar nos próximos meses.

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“Alguns trabalhadores em esquemas de trabalho de curta duração e demissões temporárias podem não ser capazes de retornar. O pior do impacto sobre os mercados de trabalho ainda está por vir”, afirmou em discurso um dos conselheiros do Banco Central Europeu, Fabio Panetta, em julho, quando o BCE previu que a taxa de desemprego supere 10% no terceiro trimestre deste ano, nos 19 países que usam o euro como moeda.

Em parte a alta pode acontecer pela própria reativação da economia, que estimularia mais gente a procurar trabalho (o índice mostra quantas pessoas tentaram uma vaga sem sucesso num determinado período de tempo, em relação a todos os que pretendem trabalhar).

Em maio, havia 253 europeus procurando vagas sem sucesso, o equivalente a 6,7% dos que se dispunham a trabalhar. Foi a segunda alta mensal na taxa de desemprego, que chegara ao menor patamar em março (6,4%), depois de sete anos de redução: o número caía desde 2013, quando superou 11%.

Empregos zumbis A diferença de ritmo na retomada de vários setores pode provocar até 9 milhões de “empregos zumbis” na Europa, segundo estudo recém-divulgado pela Allianz, em setores mais afetados pelas restrições impostas durante a pandemia, como transporte e armazenamento, acomodação e serviços de alimentação, arte, entretenimento e recreação, entre outros.

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São “vagas mortas” que teriam que ser “mantidas vivas” por políticas específicas dos governos, segundo os autores do estudo, para os quais 20% dos atualmente matriculados em esquemas de redução do trabalho enfrentam alto risco de desemprego em 2021.

A Allianz estima que cerca de 115 milhões de trabalhadores, ou 49% do emprego total, estejam em setores de “crescimento tardio” nos 27 países da União Europeia, com uma variação de 42%, na França, a 50%, na Itália.

Para os economistas da empresa, os governos precisarão recalibrar os pacotes de ajuda para priorizar os setores que devem demorar mais para se reequilibrar.

As informações são da FolhaPress




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