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Percepção negativa da China entre americanos atinge maior patamar em 15 anos

Se a guerra comercial entre os dois países foi o fator que mais contribuiu para o crescimento da rejeição à China entre 2018 e 2019, é a pandemia de coronavírus que desempenha esse papel em 2020

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Diana Lott
Belo Horizonte, MG

Em tempos de polarização política e acirramento da disputa eleitoral nos EUA, há algo que une os americanos: a forma negativa com que veem a China.

Uma pesquisa do Instituto Pew divulgada nesta quinta (30) mostra que cerca de três quartos dos americanos têm uma visão desfavorável do país oriental -o índice mais alto dos últimos 15 anos- e que um em cada quatro afirma acreditar que Pequim é um inimigo de Washington.

A postura negativa ante a China supera diferenças de idade: ela é compartilhada por 56% dos jovens (entre 18 e 29 anos), 71% dos adultos entre 30 e 49 anos e chega a 81% entre aqueles com mais de 50 anos.

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Também não há discrepância quando os entrevistados são divididos por nível de escolaridade. Os americanos com diploma universitário e aqueles que não cursaram o ensino superior registram a mesma marca: sete em cada dez têm opiniões desfavoráveis do país.

Republicanos e democratas aparecem do mesmo lado -mais da metade de cada legenda vê a China de forma negativa, embora a rejeição seja maior entre correligionários de Donald Trump: 83% contra 68%.

“Os resultados confirmam que a postura anti-Pequim do governo Trump tem lastro popular”, diz Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e pesquisador de política americana.

Ele acrescenta que esse é um dos poucos temas onde há consenso em Washington. “Não se vê autoridades democratas defendendo a China”, diz.

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Se a guerra comercial entre os dois países foi o fator que mais contribuiu para o crescimento da rejeição à China entre 2018 e 2019, é a pandemia de coronavírus que desempenha esse papel em 2020.

Entre abril de 2019 e março deste ano, mês em que os EUA chegaram a 25 mil casos confirmados de Covid-19, a parcela de americanos com percepções negativas de Pequim subiu de 60% para 66%, uma alta que se repetiu na pesquisa mais recente, na qual o índice chegou a 73%.

Ainda segundo o levantamento divulgado nesta quinta, 50% afirmam que Pequim deve ser responsabilizada pela forma como atuou na pandemia, mesmo que isso leve a uma piora nas relações com o país.

A percepção negativa da China ganha especial relevância no atual momento da disputa eleitoral americana, quando Trump vê seu desempenho nas pesquisas cair em grande parte devido à piora da economia e à rejeição à resposta de seu governo à pandemia.

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“Trump tem buscado uma série de temas para desviar a atenção do cenário econômico, já que ele perdeu o discurso do crescimento”, diz o pesquisador. “A China, assim como os atos antirracismo, é um deles.”

Desde o início da crise sanitária, o presidente endureceu seu discurso contra Pequim, referindo-se várias vezes ao novo coronavírus como “o vírus chinês” e culpando o país pela disseminação da Covid-19.

Embora não seja o único a explorar o sentimento anti-China a seu favor, o presidente faz uma leitura populista dessa questão, afirma Poggio. “Ele usa o país como adversário externo para unir a sua base.”

A três meses do pleito presidencial, a distância entre Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden tem crescido, segundo as pesquisas. Em um levantamento feito pela Universidade Quinnipiac divulgado em 15 de julho, o democrata aparece com 52% das intenções de voto, enquanto o republicano fica com 37% -uma vantagem de 15 pontos percentuais, a maior já registrada pela instituição.
O Instituto Pew entrevistou 1.003 pessoas por telefone entre 16 de junho e 14 de julho. A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais.

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As informações são da FolhaPress




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