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‘Não basta um remédio’, diz médico italiano sobre Covid-19

Segundo o especialista, ainda é preciso identificar melhor os mecanismos do novo coronavírus

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SÃO PAULO, 13 ABR (ANSA) – Por Lucas Rizzi – Enquanto pesquisadores do mundo todo correm contra o tempo para criar uma vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2), que contaminou quase 1,9 milhão de pessoas e deixou mais de 115 mil mortos, incontáveis estudos estão em curso para tentar descobrir um tratamento eficaz entre os medicamentos já existentes, como a cloroquina e antirretrovirais usados contra o HIV.

No entanto, em entrevista à ANSA, Pierluigi Bartoletti, vice-preidente da Ordem dos Médicos de Roma, alertou que “não basta um remédio” para combater o Sars-Cov-2 e a doença por ele provocada, a Covid-19. Segundo o especialista, ainda é preciso identificar melhor os mecanismos do novo coronavírus.

“Essa doença tem duas fases: uma inicial, muito leve, e depois outra mais séria”, disse Bartoletti, argumentando contra a hipótese de um único medicamento ser uma espécie de salvador.

O médico fala com a experiência de quem está na linha de frente contra a pandemia. Bartoletti lidera um projeto-piloto em uma pequena cidade da província de Roma, Nerola, de 2 mil habitantes, para tentar entender melhor o mecanismo de disseminação do vírus e, quem sabe, projetar uma possível estratégia para o futuro.

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A iniciativa, realizada pelo Instituto Lazzaro Spallanzani, referência em doenças infecciosas na Itália, consiste na união de três testes: o RT-PCR, que detecta o material genético do Sars-CoV-2 a partir de secreções da faringe; o sorológico clássico, que capta a presença de anticorpos criados para combater o vírus; e um teste rápido que produz o mesmo resultado da sorologia, mas em tempo menor.

O primeiro é considerado atualmente como mais confiável, porém é capaz de dizer apenas se a pessoa está com o coronavírus no momento. Já os outros dois também identificam pacientes que foram expostos ao Sars-CoV-2 e o eliminaram sem sabê-lo, porém são ineficazes nos primeiros dias de infecção, uma vez que leva alguns dias para o sistema imunológico produzir anticorpos.

Uma união desses testes, no entanto, poderia ajudar a formar um cenário mais preciso do nível de contágio na população.

“Partimos do ponto de vista de que não conhecemos as características do vírus nem o modo como ele se difunde. Temos pouquíssimos dados”, contou Bartoletti.

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O teste rápido fornece o resultado em oito minutos e foi acrescentado ao estudo para superar o problema na demora das análises dos exames sorológicos, já que os laboratórios convivem com uma equação que contrapõe muitas amostras ao pouco tempo disponível.

“Essa é uma doença rápida, que passa do saudável para a internação em poucos dias, então precisávamos de resultados rápidos. Na espera da avaliação laboratorial, o exame detecta anticorpos presentes no sangue em oito minutos, tanto o IgM, que indica uma infecção mais recente, quanto o IgC, menos recente”, salientou o médico.

Laboratório – Nerola não foi escolhida à toa. Situada na província de Roma, a cidade viu explodirem os casos do novo coronavírus no fim de março, com mais de 70 pessoas infectadas em um único asilo, o Maria Santissima Immacolata, que foi fechado pelas autoridades sanitárias locais.

No dia 25 daquele mês, o governo da região do Lazio bloqueou todos os acessos a Nerola e isolou o vilarejo do restante do país. Os moradores foram proibidos de sair de casa. O projeto-piloto do Instituto Lazzaro Spallanzani começou em 28 de março, e os resultados definitivos devem ser divulgados em breve.

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Mas, enquanto isso, já é possível entender alguns aspectos do Sars-CoV-2. “O que posso dizer, como médico de campo, é que a difusão do vírus é frequentemente ligada às áreas dos focos, que eram casas de repouso. O restante da população, com uso de máscaras e distanciamento, não teve uma grande contaminação.

Isso significa que as medidas [de isolamento] funcionam”, disse Bartoletti.

Para o médico, a velocidade é um fator fundamental para combater a pandemia, já que a Covid-19 evolui e se dissemina rapidamente.

“Bastam poucas pessoas em um mercado para criar um foco”, acrescentou.

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A testagem em massa será crucial para a reabertura dos países em quarentena por causa da pandemia. Só assim será possível quantificar a parcela da população que já está imunizada contra o vírus e pode sair às ruas em segurança – Nerola deixará de ser “zona vermelha” nesta terça-feira (14).

O caminho, nas palavras de Bartoletti, é “isolar os focos, identificar os contatos e tratar os doentes”. (ANSA)


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