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Ex-guarda de campo nazista é condenado a dois anos de prisão sob sursis na Alemanha

A procuradoria considerou que o réu apoiou a máquina de extermínio nazista

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Por Sebastian BRONST, con Isabelle LE PAGE en Berlín

O tribunal de Hamburgo condenou a dois anos de prisão com pena suspensa, nesta quinta-feira (23), um homem de 93 anos que serviu de guarda no campo nazista de Stutthof na Polônia, acusado por milhares de assassinatos ali ocorridos entre 1944 e 1945.

O réu, Bruno Dey, que tinha 17 anos na época dos eventos, “foi considerado culpado de cumplicidade em 5.232 assassinatos e tentativas de assassinato”, disse a presidente do tribunal, Anne Meier-Göring, após um julgamento que será, provavelmente, um dos últimos sobre os crimes cometidos pelo Terceiro Reich.

“Fez mal. Foi uma terrível injustiça. Não deveria ter participado em Stutthof”, disse a juíza.

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“Você se considera um observador, mas foi um apoiador desse inferno criado pelos homens”, acrescentou.

O advogado de Dey pediu a anulação do caso.

A procuradoria considerou que o réu apoiou a máquina de extermínio nazista.

Na segunda-feira, Dey se desculpou “diante daqueles que passaram por este inferno de loucura” e disse que, ao longo dos nove meses de julgamento com cerca de quarenta depoimentos, tomou consciência de “toda a magnitude da crueldade” dos atos cometidos em Stutthof.

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No total, cerca de 65.000 pessoas, a maioria judeus dos Países Bálticos e da Polônia, morreram com um tiro na nuca, em câmara de gás com Zyklon B ou enforcados. Ou então morreram como consequência do frio, da fome, das epidemias e dos trabalhos forçados.

 

Culpabilidade 


O campo, o primeiro construído fora da Alemanha em 1939, foi integrado progressivamente no sistema de extermínio de judeus.

O acusado, instalado em uma das torres de vigilância, tinha o dever de evitar revoltas e fugas.

Dey afirmou que seu posto não o tornava culpado, porque nunca fez “diretamente mal a ninguém”. Nunca “se ofereceu como voluntário para entrar nas SS ou servir em um campo de extermínio”, mas não teve escolha a não ser aceitar a tarefa, contou.

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“Não deveria ter seguido uma ordem criminosa e de forma alguma mencioná-la” em sua defesa, declarou a juíza.

Diante desses crimes, “não basta olhar para o outro lado e esperar que isso pare”, disse o procurador-geral Lars Mahnke no indiciamento, explicando que Dey poderia ter pedido para deixar o exército, o que provavelmente significaria que o enviariam para a frente leste.

É difícil pensar que um adolescente teria se atrevido a “comportar-se desta maneira” no contexto de obediência absoluta exigida naquele época, estimou seu advogado Stefan Waterkamp.

É preciso levar em consideração que “servir em um campo de concentração não se considerava um crime nessa época”, acrescentou.

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Bruno Dey foi prisioneiro de guerra depois de 1945, mas por pouco tempo. Ganhou a vida em Hamburgo como padeiro, caminhoneiro e zelador, e fundou uma família.

– O último julgamento? –
Setenta e cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, este julgamento pode ser o último deste tipo devido à idade dos acusados.

Na semana passada, o tribunal de Wuppertal anunciou a acusação de outro ex-guarda de Stutthof de 95 anos, também por cumplicidade no crime de assassinato.

Segundo a mídia alemã, ainda há cerca de 30 processos em andamento.

É pouco provável que Bruno Dey seja enviado à prisão. Mas a promotoria considera essencial o reconhecimento de sua culpa.

As informações são da FolhaPress. 




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