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Em retaliação, governo chinês manda fechar consulado dos EUA em Chengdu

O fechamento do consulado em Chengdu, o mais ocidental dos cinco consulados americanos na China, deixa os EUA sem presença numa cidade que é o centro da expansão comercial dos chineses na Ásia Central

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A China ordenou nesta sexta-feira, 24, o fechamento do consulado dos EUA na cidade de Chengdu, no sudoeste do país. A decisão foi anunciada três dias após o governo americano acusar os chineses de espionagem e mandar fechar o consulado da China em Houston, Texas. “A decisão é uma resposta legítima e necessária às medidas irracionais dos EUA”, disse a chancelaria chinesa, em comunicado.

O fechamento do consulado em Chengdu, o mais ocidental dos cinco consulados americanos na China, deixa os EUA sem presença numa cidade que é o centro da expansão comercial dos chineses na Ásia Central. Chengdu também é um posto valioso por reunir informações sobre os abusos contra os uigures em Xinjiang e sobre a repressão no Tibete, duas regiões conturbadas do extremo oeste do país.

Pequim culpou o governo de Donald Trump pela deterioração das relações. Na visão dos chineses, os EUA vêm intensificando uma perseguição em vários setores. Além do fechamento dos consulados, os americanos acusam a China de espionagem industrial e de tentar roubar dados sobre vacinas contra a covid-19.

Desde que assumiu a presidência, em 2017, Trump vem adotando uma agressiva política comercial, especialmente com relação à China, que é acusada de manipular o câmbio, desvalorizando o yuan frente ao dólar, para tornar seus produtos mais competitivos no mercado internacional. A solução de Trump foi impor tarifas à importação de produtos chineses – o que provocou retaliações de Pequim contra produtos americanos.

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Outra face dessa nova guerra fria é a luta pelo mercado das telecomunicações, com o governo americano pressionando aliados a impedir a participação da empresa chinesa Huawei na implementação da tecnologia 5G em seus países.

A Casa Branca também pressiona o governo chinês por abusos dos direitos humanos das minorias uigures, muçulmanos de Xinjiang, obrigados a trabalhar em “campos de readequação”, e protesta contra a repressão às manifestações em favor da democracia em Hong Kong.

Outro ponto de atrito são as eleições americanas. Para analistas, Trump busca projeção eleitoral ao manter a disputa com a China, que seria uma boa ferramenta para melhorar uma imagem desgastada pela pandemia e a crise econômica.

Um momento crucial do confronto ocorreu na quinta-feira, quando o secretário de Estado, Mike Pompeo, pediu uma aliança global contra a China em um discurso simbólico na biblioteca do presidente Richard Nixon, na Califórnia. “Se dobrarmos os joelhos agora, os filhos de nossos filhos estarão à mercê do Partido Comunista da China, cujas ações são o principal desafio hoje no mundo livre”, disse Pompeo.

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As autoridades chinesas acusaram Pompeo de adotar uma mentalidade da Guerra Fria. “O que ele (Pompeo) está fazendo é tão fútil quanto uma formiga tentar sacudir uma árvore”, disse Hua Chunying, porta-voz da chancelaria chinesa. “O discurso de Pompeo é a nova declaração de guerra fria dos EUA”, afirmou Shi Yinhong, professor de relações internacionais da Universidade Renmin, em Pequim. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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