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Em Pucón, a terra tremeu. Mas não foram os protestos…

Por aqui, os protestos chegam como reflexo do que acontece na capital, desde que o governo resolveu aumentar em 30 pesos a tarifa do metrô

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Rudolfo Lago
rudolfo.lago@grupojbr.com

Pucón amanheceu tremendo. Mas nenhuma relação havia com os fortes protestos que acontecem desde sexta-feira (18) em Santiago e em outras regiões próximas da capital do Chile, que já resultaram em 11 mortes. No caso, o que houve foi um cismo: um pequeno abalo de terra, de 4.9 na Escala Richter que não chega sequer a ser classificado como terremoto.

Até o momento, as preocupações na região são outras. Os índios Mapuche, que habitam a parte sul do Chile e da Argentina, aqui estão mobilizados para evitar a construção de hidrelétricas que podem resultar na desapropriação das suas terras ancestrais, onde vivem há milênios. E a população local protesta contra a possibilidade de construção de novas estradas asfaltadas levando aos rios, lagos e vulcões que dão nome a essa bela região do Chile.

Por aqui, os protestos chegam como reflexo do que acontece na capital, desde que o governo resolveu aumentar em 30 pesos a tarifa do metrô, algo próximo a 20 centavos de real.

Impossível não lembrar do que aconteceu no governo Dilma Rousseff antes da Copa das Confederações em 2013, quando se começou a protestar por aumento equivalente na tarifa de ônibus em São Paulo. Como aconteceu no Brasil na época, ficou claro que aqui também não é “pelos 20 centavos” que de fato se protesta, mas por um conjunto de insatisfações. Mais claro ficou depois que o presidente Sebastián Piñera recuou do aumento, congelou as tarifas e os protestos continuaram.

Santiago está sitiada. Os protestos levaram a decretação do Estado de Emergência, que entregou o controle das ruas e a contenção das manifestações aos militares.

Há toque de recolher na cidade. Sem transporte, as pessoas não conseguem chegar ao trabalho. Somente entre aqueles que são operados pela Latam, mais de cem voos a partir de Santiago foram cancelados. Esse é o principal reflexo nas regiões que permanecem pacificadas. Os aviões não chegam ao Aeroporto de Temuco, a cerca de 200 quilômetros de Pucón. Normalmente, os voos que daqui saem são a volta de voos operados a partir de Santiago.

Como os aviões de lá não decolam, não chegam a Temuco para retornar.
A preocupação é com os parentes que vivem em Santiago. A guia Paulina Péres, que trabalha no hotel Vira-Vira, acompanha os reveses da sua família. Moram na região de Las Rejas, muito próxima da estação central do metrô, moram a mãe de Paulina, seu padrasto, um irmão e sua filha de 13 anos, Isidora, que deixou a região de Pucón para morar com a avó para poder estudar.

Hoje, estão todos sitiados em casa. Não há aulas na escola. Em casa, estão protegidos. Mas escutam os gritos e protestos daqueles que se manifestam na grande alameda na esquina da casa. As provisões tem conseguido comprar em pequenos armazéns perto de casa. Compras maiores são no momento impossíveis, porque os supermercados estão fechados. “A grande preocupação inicial se dissipou. Porque, na conversa com eles, já vi que estão todos bem e protegidos”, diz ela.

O grupo de jornalistas que formamos aqui em Pucón veio para o Chile a convite da Latam, para acompanhar o voo inaugurou que liga diretamente Brasília a Santiago. O grupo deixou a capital do Chile exatamente um dia antes do início dos protestos. E nada indicava que alguma coisa poderia acontecer.

Nosso problema no momento é estabelecer de que forma voltaremos. O voo que nos levaria a Santiago por volta do meio-dia desta segunda-feira foi cancelado. Recebemos prioridade para realocações, e, a princípio, sairemos do aeroporto de Temuco a noite. Por enquanto, o voo de volta a Brasília, na terça-feira, está mantido.

O repórter Rudolfo Lago viajou a convite da Latam


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