A respeito do assunto, Prada não deixou de fazer brincadeiras na entrevista coletiva concedida nesta terça-feira, em São Paulo, antes da ida dos dois para o Mundial da classe Star, em San Francisco, nos EUA. “No final do ano passado estava com 98 kg. Hoje estou com 112 kg e tenho que ganhar até mais antes das competições. É como se estivesse grávido, carregando esse peso a mais. E cansa na hora dos treinos”, disse, rindo.
Segundo o próprio Prada, a explicação para os quilos extras não está somente no melhor desempenho na Star. Tudo fez parte de acordo com o parceiro, para que ele não extrapolasse o peso-limite da classe Laser, categoria em que o bicampeão olímpico ainda disputa competições. Mas após os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a esperança dos dois é de que o planejamento seja revisto.
“É ruim, mas faz parte. O Scheidt não poderia estar com mais de 88kg para o Pan e não podia estragar esse plano dele. Mas depois eu começo a perder um pouco e ele a ganhar”, garantiu Prada, que admitiu estar em boa forma apesar. “Nosso problema hoje não é físico. Estamos bem treinados e com bom condicionamento.”
Além dos esforços pessoais, dois fatores têm contribuído para a evolução da dupla. Um deles é o bom relacionamento entre os dois. O outro foi a dedicação a uma série de treinamentos na Alemanha, no primeiro semestre deste ano, seqüência esta apontada por Scheidt como responsável pela descoberta dos macetes da classe Star.
Ao falar com orgulho sobre o tempo que passou na cidade de Warnemunde, na antiga Alemanha Oriental, ao lado do experiente treinador polonês Andie Cervyja, o velejador ainda estabeleceu um panorama geral de sua adaptação à mudança da classe Laser para a Star. “Lembro que nos primeiros treinos a gente não rendeu bem, mesmo com um bom barco. Mas o que fez a diferença mesmo foram os treinos na Alemanha”, apontou.
“Foram dias lá com o Andie, começamos do zero e tivemos um conceito novo da Star, de como acertar o barco. Ele sugeria regulagens diferentes dos manuais, que eram nossa base até então, e foi ao fundo nas teorias. Sozinho a gente nunca teria achado isso. Logo depois disputamos a Semana de Kiel e pela primeira vez sentimos que estávamos rápidos”, lembrou Scheidt.