O presidente Donald Trump disse que não quer governar ou anexar a Venezuela aos EUA como, aliás, admite com relação à Groenlândia. Não se trata de um recuo, para aliviar o impacto das presumíveis pressões do Congresso dos EUA ou da comunidade internacional, depois do flagrante de violações no episódio da invasão armada ao território venezuelano.
Depois de resistir incólume à rebordosa do tarifaço, Trump acha que não faltará couraça para aguentar o tranco.
Segundo fontes ligadas ao mercado petrolífero internacional, a operação de extração de Nicolás Maduro e Cilia Flores é apenas mais uma página da obsessão de Trump por medidas que derrubem os preços do petróleo no mercado internacional, permanentemente.
Segundo estas versões, Trump aposta numa era de petróleo barato, se aproveitando da tendência de oferta crescente do barril no mercado. Por essa percepção, para triplicar a participação da Venezuela – maior reserva do planeta -, o presidente dos EUA teria bancado uma verdadeira operação de guerra travestida de “cumprimento de um mandado de prisão”.
Essa história pode acabar dando ruim para Trump. Mas, ainda assim, pra quem entende de petróleo, o benefício será bem maior que o dano.
Segundo esta versão, Trump não carregava compromissos ideológicos nesta empreitada, ainda que odiasse Maduro. Razão pela qual, incluisve, ele não demorou em jogar água na Tequila da oposição venezuelana, quando confirmou que não haverá veto americano à vice de Maduro, Delcy Rodrigues, empossada no comando do Estado venezuelano.
Um apoio que, entretanto, está condicionado a uma governança que facilite a vida e os investimentos das mega-petroleiras dos Estados Unidos na Venezuela.
Trump aposta no atalho para uma Venezuela reerguida rapidamente, com infraestrutura recuperada sob contratos e investimentos norte-americanos para balançar o mercado, pressionando ainda mais os preços para baixo e reduzindo as receitas de exportadores como a Rússia — exatamente no momento em que Moscou já enfrenta sanções e despesas de guerra.
Como nada ficou “combinado com os russos” – que zombaram das tentativas de Trump em acabar com a guerra na Ucrânia -, a diplomacia de Putin entendeu a jogada de Trump e partiu pra cima, descrevendo a operação dos EUA como “um ato de agressão armada”. Mesmo diante da percepção mundial sobre a fraude nas eleições da Venezuela, o discurso oficial de Moscou tratou Maduro como chefe de Estado legítimo, definindo a ação dos EUA como violação flagrante do direito internacional e uma afronta à soberania venezuelana.
Uma resposta tímida, se considerarmos o papel do petróleo na economia russa, num contexto em que a venda do óleo representa algo perto de 30% das receitas federais geridas por Moscou.
Trump está convencido de que a derrubada do preço da gasolina e do diesel tem o poder de segurar a inflação, bombar a economia, fazendo sobrar dinheiro no bolso do americano médio.
Por razões domésticas e internacionais, Trump fará de tudo para derrubar o valor comercial do petróleo. por essa razão, em Janeiro de 2017, nos primeiros dias do seu primeiro governo, ele assinou uma série de ordens executivas destinadas a “libertar a energia americana”.
Para bombar a oferta do petróleo nos EUA,- líder do ranking dos produtores -, Trump revogou políticas da administração anterior sobre mudanças climáticas, eliminando restrições à produção de petróleo e gás em terras e águas federais.
Nada comparado a invasão de um país soberano, numa operação com direito a “tiro, porrada e bomba”. Mas o legado do primeiro mandato de Trump já tinha incluído a aprovação de oleodutos de longa data, revogando regras de proteção ambiental que represavam a perfuração de poços em território americano.
Embora os preços reduzidos possam prejudicar os produtores de petróleo de xisto dos EUA, o chamado US shale industry acaba beneficiado pela oferta de petróleo pesado a preço baixo, já que depende do óleo fóssil com essa característica para compor a mistura final que atende o mercado norte-americano. Um tipo de petróleo farto na Venezuela que, inclusive, vendia 80% da sua produção para a China, maior rival dos EUA no front econômico.