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Bastidores
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Tarifaço, Pix e a capitulação de Dutra

Vladimir Porfírio

10/06/2026 5h00

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Arte sobre foto da Agência Brasil e Casa Branca

Para quebrar o silêncio que marca a discrição profissional dos egressos do Itamaraty, a conquista de dois dedos de prosa com um embaixador de carreira aposentado, sob a condição de sigilo, revelou um viés da percepção de nossa diplomacia sobre as recentes reações do presidente Lula.

Nossa fonte, sem meias palavras, avalia que Lula apenas “fez o que cabe a um Chefe de Estado” diante do novo tarifaço, inclusive porque as alegações dos estadunidenses são “injustas”, além de “fantasiosas”. Aliás, causou repulsa com cara de unanimidade a notícia de que os EUA relacionam a economia brasileira com a prática do trabalho forçado.

Noutra frente, segundo as impressões de nossa fonte, o Presidente da República do Brasil teve uma reação “mais politizada” quando se manifestou sobre a decisão dos EUA que enquadrou como organizações terroristas as facções criminosas do Brasil, com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade estadunidense. Para o experimentado servidor, Lula não foi “totalmente feliz neste caso”.

Ainda que, na sua opinião técnica, a diplomacia brasileira tenha o dever de questionar a medida, visto que a própria lei de diretrizes de Relações Exteriores dos EUA (a Foreign Relations Authorization Act) define o ato terrorista como violência motivada por questões políticas e ideológicas. “Seria como achar que o CV ou PCC não visam lucro e estão a serviço da prosperidade do Islamismo fundamentalista”, ironizou.

O ilustrado diplomata, que gosta de passear pelo calçadão de Copacabana e Ipanema, faz questão de esclarecer que não é – e não foi – um entusiasta das candidaturas de Lula. Até porque, para ele, o figurino que veste Lula em defesa da soberania nacional deveria lembrar que “a soberania também está ameaçada quando milicianos ou traficantes atuam diretamente na usurpação do monopólio da força e das funções estatais”, dominando criminosamente grandes extensões dentro da cidade do Rio de Janeiro.

Ao calibrar sua opinião sobre o uso político do episódio, mesmo avesso à política eleitoral, nossa fonte da diplomacia reconhece que os Bolsonaros seguem numa busca desesperada por narrativas que os desvinculem das ofensivas dos EUA nos assuntos internos do Brasil, sobretudo no que diz respeito a tentativa de “cancelamento do PIX ”.

Depositário de boa parte da memória dos bastidores da diplomacia brasileira do século passado, nosso entrevistado oculto repete lições de figuras como San Tiago Dantas,

Alexandre de Gusmão, Barão do Rio Branco e Oswaldo Aranha. A partir de uma dessas citações históricas, veio o alerta dirigido à direita emergente brasileira, quando discorreu sobre os riscos de uma atitude excessivamente cordata, diante de uma interferência externa nos assuntos internos do Brasil.

No ponto de uma dessas recordações, ele recorda que o ex-Presidente Eurico Gaspar Dutra passou a ser lembrado com governante dado à vassalagem, por preferir não cobrar da Inglaterra o pagamento de uma dívida de 65 milhões de Libras esterlinas, contraídas pelo fornecimento de commodities brasileiras durante a segunda guerra mundial.

No episódio, ele aceitou todos os riscos e acabou lembrado pela “subserviência”, “capachice” e “entreguismo”. Naquela página triste, as acusações partiam da direita e da esquerda, que reagiam a uma decisão em que o Brasil deixava de negociar o recebimento dos valores devidos para aceitar como “pagamento” o controle de empresas sucateadas, inclusive as defasadas ferroviárias inglesas no Brasil.

A complacente atitude de Dutra com os Ingleses renunciou ao recebimento de cerca de 16 bilhões de reais em valores atualizados, capitulando à “doce chantagem” britânica. Segundo registros sobre o episódio, o governo britânico proibiu o Brasil de usar os recursos em Libras esterlinas devidas na compra de produtos de qualquer outro país, proibindo negócios fora do Império Britânico.

Em vez de o governo brasileiro adotar uma postura diplomática firme ou retaliar retendo bens ingleses, Dutra aceitou a “solução” britânica.

Pelo visto, antes o Lula de hoje, que o Dutra do pós-guerra

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